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Helen Jaine Gomes Borgens assume como primeira quilombola aprovada na carreira diplomática

Helen Jaine Gomes Borgens assume como primeira quilombola aprovada na carreira diplomática

Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, tornou-se a primeira pessoa quilombola aprovada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD). Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela tomou posse como terceira-secretária do Ministério das Relações Exteriores na quarta-feira (4/11), em cerimônia realizada no Itamaraty.

A nomeação representa um marco para a presença de integrantes de comunidades tradicionais no serviço diplomático brasileiro, carreira historicamente marcada pela baixa diversidade. Helen nasceu em Goiânia, mas manteve desde a infância vínculos com a comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste de Goiás.

Foi no município goiano que ela estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto. Simolândia também abriga a comunidade à qual Helen pertence. Segundo informações divulgadas pela UFG, o Retiro faz parte da Associação de Comunidades Quilombolas, organização que reúne ainda as comunidades de Castelo e Três Rios.

A trajetória da nova diplomata também se destaca diante das dificuldades históricas de acesso da população quilombola ao ensino superior. Na família de Helen, sete filhos chegaram à universidade e concluíram a formação acadêmica. O dado contrasta com o cenário nacional citado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo o qual somente 2,3% dos quilombolas concluíram um curso de graduação.

Disciplina na universidade aproximou Helen da carreira diplomática

O interesse pelo Itamaraty não surgiu de forma linear. Durante a graduação em Relações Internacionais na UFG, Helen enfrentou um período de desmotivação e chegou a considerar a possibilidade de deixar o curso. A mudança ocorreu quando ela teve contato com a disciplina de Política Externa Brasileira.

O conteúdo estudado reacendeu o interesse pela área e fortaleceu o desejo de ingressar na diplomacia. A partir daquele momento, o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática passou a ser encarado como uma meta profissional. Depois de concluir a graduação, em 2025, Helen voltou para a comunidade no nordeste de Goiás e iniciou a preparação para as provas.

O processo de estudos foi realizado sem uma estrutura de apoio formada por professores ou orientadores especializados. Vivendo em uma área do interior, ela precisou montar sozinha a rotina de preparação e buscar os conteúdos necessários para o concurso. As dificuldades incluíam manter a concentração e estabelecer uma rotina regular de estudos.

“Todo o conhecimento além do básico tive que buscar por conta própria. Não tive professores nem ninguém para orientar, porque simplesmente não existia essa estrutura aqui. Era eu e Deus”, afirmou Helen à UFG.

Aprovação ocorreu após ampliação da reserva de vagas

Helen foi aprovada no primeiro concurso para a carreira diplomática realizado sob as regras da Lei nº 15.142/2025. A legislação ampliou a política de reserva de vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas. No concurso de 2026, foram estabelecidas vagas específicas para candidatos indígenas e quilombolas.

Ao todo, 60 novos diplomatas foram aprovados no processo seletivo. Desse grupo, 27 pessoas pertencem a segmentos historicamente sub-representados. A aprovação de Helen, nesse contexto, passou a ser considerada um marco para a inclusão de quilombolas e de outros integrantes de comunidades tradicionais na diplomacia brasileira.

A turma formada a partir do concurso também alcançou a maior participação proporcional de mulheres da história do Instituto Rio Branco, responsável pela formação dos diplomatas do país. Elas corresponderam a 45% dos aprovados.

Após a posse, Helen publicou imagens da cerimônia nas redes sociais. O registro foi acompanhado por um versículo bíblico relacionado à superação: “Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes”.

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