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Brasil alcança superávit comercial de US$ 9,3 bilhões em outubro, alta de 39,4%

Brasil alcança superávit comercial de US$ 9,3 bilhões em outubro, alta de 39,4%

A balança comercial brasileira encerrou outubro de 2026 com saldo positivo de US$ 9,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6/11). O resultado representa uma expansão de 39,4% em relação ao superávit de US$ 6,7 bilhões registrado em outubro de 2025.

O saldo foi formado pela diferença entre as exportações, que superaram as compras brasileiras no exterior. No mês, as vendas do país para outros mercados somaram US$ 37,8 bilhões, valor 20% maior que os US$ 31,5 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

As importações também cresceram, mas em ritmo inferior. As compras externas totalizaram US$ 28,5 bilhões em outubro, alta de 14,8% sobre os US$ 24,8 bilhões apurados em outubro de 2025. A movimentação conjunta entre exportações e importações resultou em uma corrente de comércio de US$ 66,3 bilhões, aumento de 17,7% diante dos US$ 56,3 bilhões registrados um ano antes.

Exportações para os Estados Unidos quase dobram em outubro

Entre os principais destinos dos produtos brasileiros, os Estados Unidos apresentaram o avanço mais expressivo no mês. As exportações para o mercado americano chegaram a US$ 4,32 bilhões, crescimento de 87% em comparação com outubro de 2025.

O desempenho ocorreu em um cenário de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas pelo presidente americano, Donald Trump. As novas cobranças começaram a valer no fim de julho, e o governo brasileiro tenta negociar com representantes dos Estados Unidos a redução ou a retirada das medidas.

De acordo com Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, parte da forte alta se explica pela base de comparação. Outubro de 2025 foi o período de menor valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos naquele ano e já refletia os efeitos do tarifaço. “Outubro do ano passado foi o vale da exportação para os Estados Unidos no ano, um mês já sob o efeito do tarifaço. Então, isso ajuda a explicar esse crescimento de 87% para este destino”, afirmou.

O petróleo bruto foi o principal responsável pelo aumento das vendas ao mercado americano. Os embarques do produto passaram de US$ 195 milhões em outubro do ano passado para US$ 1,3 bilhão em outubro de 2026.

União Europeia amplia compras do Brasil

As exportações brasileiras para a União Europeia também tiveram desempenho positivo em outubro. Os embarques cresceram 32% e alcançaram US$ 6,04 bilhões. Já as vendas para a Argentina recuaram 6,7%, enquanto as destinadas à China diminuíram 5,3% no mesmo mês.

Apesar do crescimento expressivo registrado em outubro, o acumulado do ano mostra que as exportações para os Estados Unidos permaneceram praticamente estáveis. Entre janeiro e outubro, os embarques para o país avançaram apenas 0,2%.

Saldo acumulado no ano chega a US$ 71 bilhões

Nos dez primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 321,88 bilhões, alta de 11,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. As importações totalizaram US$ 250,84 bilhões, crescimento de 6,1% na mesma comparação.

Com a diferença entre os dois fluxos, o Brasil acumulou superávit comercial de US$ 71 bilhões entre janeiro e outubro. O resultado representa aumento de 34,1% sobre o saldo positivo de US$ 53 bilhões registrado nos dez primeiros meses do ano anterior.

Na análise por setores, a indústria extrativa liderou o crescimento percentual das exportações no acumulado de 2026. O segmento registrou alta de 24,4% e alcançou US$ 82,36 bilhões em vendas externas.

A indústria de transformação apresentou crescimento de 6,3% e atingiu US$ 165,10 bilhões em exportações, o maior valor absoluto entre os setores mencionados. No período de janeiro a outubro, os embarques para a União Europeia aumentaram 20%, para US$ 49,64 bilhões. As vendas para a China cresceram 10%, chegando a US$ 93,10 bilhões, enquanto as exportações para os Estados Unidos avançaram 0,2%, totalizando US$ 31,73 bilhões. Para a Argentina, houve queda de 17,2%, com embarques de US$ 13,12 bilhões.

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