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Caminhonete entra no rio Ivinhema por engano e deixa mulher morta e homem desaparecido em MS

Caminhonete entra no rio Ivinhema por engano e deixa mulher morta e homem desaparecido em MS

Uma caminhonete afundou no rio Ivinhema depois que um casal confundiu uma rampa de acesso à água com um trecho de estrada alagado, na noite de domingo (1º/11), em Mato Grosso do Sul. O veículo foi localizado na manhã de segunda-feira (2/11), com o corpo de uma mulher dentro. O homem que a acompanhava continua desaparecido.

O acidente ocorreu em uma área de ranchos e espaços de lazer situada na divisa entre os municípios de Angélica e Nova Andradina. As vítimas foram identificadas como Estela Tomazetto, de 48 anos, e João Luiz dos Santos, de 56. Naturais do Paraná, os dois trabalhavam em uma fazenda da região.

Câmeras de segurança instaladas em um ponto utilizado para o acesso de embarcações registraram o momento em que a caminhonete desceu pela rampa e entrou no rio. As imagens mostram que o veículo avançou em baixa velocidade, o que reforça a hipótese de que os ocupantes acreditavam estar passando por uma área de estrada tomada pela água.

Segundo os registros, pessoas que estavam nas proximidades tentaram prestar socorro, mas a caminhonete já estava praticamente submersa. As gravações também mostram as luzes traseiras do veículo acendendo e apagando durante o momento em que ele desaparecia na água.

A principal linha de investigação da Polícia Civil é de que o casal tenha acessado o local por engano. As autoridades informaram que, até o momento, não foram encontrados indícios de feminicídio ou suicídio. Também não foi identificado histórico de violência entre Estela e João Luiz.

A análise das imagens indica que, aproximadamente quatro segundos depois de entrar no rio, o motorista acionou o freio e engatou a marcha à ré. Para os investigadores, o movimento sugere que ele percebeu que havia entrado na água e tentou retornar pela rampa, mas não conseguiu impedir o afundamento da caminhonete.

As condições das vias próximas também são consideradas um possível fator para o acidente. Havia diversos trechos alagados na região, com a água alcançando a altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes. De acordo com as autoridades, a entrada no condomínio fechado onde ocorreu o acidente não teria sido planejada. O casal não morava no local, não estava hospedado e também não alugava nenhum imóvel na área.

A investigação apura ainda relatos de que os dois teriam consumido bebidas alcoólicas ao longo do dia. A Polícia Civil considera a possibilidade de que essa circunstância, somada à situação das estradas e à presença de trechos alagados, tenha prejudicado a percepção dos ocupantes e contribuído para que a rampa fosse confundida com uma via.

Profundidade e pressão da água dificultaram saída

Outro aspecto analisado pelas autoridades é a dificuldade de os ocupantes deixarem a caminhonete antes que ela afundasse. O trecho do rio próximo à rampa já tem aproximadamente seis metros de profundidade nos primeiros metros, segundo a Polícia Civil.

As imagens apontam que, cerca de quatro segundos após a entrada na água, o rio já havia invadido a cabine e coberto a porta do veículo. Em situações como essa, a pressão exercida pela água pode dificultar a abertura das portas, reduzindo o tempo disponível para que os ocupantes consigam sair.

A análise das gravações não identificou nenhum momento em que Estela ou João Luiz tenham conseguido deixar a caminhonete. A porta do veículo teria se aberto somente depois que ele já estava no fundo do rio. A suspeita é de que a pressão da água tenha provocado a abertura e lançado uma das vítimas para fora.

O corpo de Estela foi localizado dentro da caminhonete durante a operação realizada na manhã de segunda-feira. João Luiz ainda não foi encontrado. A correnteza deslocou o veículo por aproximadamente 40 metros pelo fundo do rio, o que também dificulta o trabalho das equipes de resgate.

Cinco profissionais do Corpo de Bombeiros participam da operação, que conta ainda com uma equipe de mergulhadores deslocada de Campo Grande. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas e estiveram na região.

As buscas por João Luiz continuavam nesta terça-feira (3/11). A investigação segue para esclarecer todas as circunstâncias do acidente. Até o momento, a polícia não identificou elementos que indiquem uma morte intencional.

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