Correio Divinopolitano

Governo Federal anuncia pacote de medidas para reduzir preços dos combustíveis por 30 dias

Governo Federal anuncia pacote de medidas para reduzir preços dos combustíveis por 30 dias

O governo federal divulgou nesta sexta-feira, 9 de outubro, um conjunto de quatro ações destinadas a conter a alta dos preços dos combustíveis, com validade inicial de 30 dias. A principal medida focada na redução do valor da gasolina também contempla o etanol e o óleo diesel utilizados em transporte rodoviário. O impacto financeiro estimado dessas ações é de aproximadamente R$ 2,65 bilhões por mês, valor que será suportado pelo orçamento federal durante o período de vigência.

As medidas foram anunciadas em um momento de grande tensão política, exatamente 16 dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) nas pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira, 8 de outubro, Flávio lidera com 52% das intenções, enquanto Lula registra 48%, em cenário considerado de empate técnico. Dados recentes do levantamento Atas Intel, divulgados nesta sexta, apontam cenário semelhante, com Flávio na frente, com 52,8% contra 47,2% de Lula.

O impacto financeiro das novas medidas, que visam reduzir os preços dos combustíveis, foi estimado pelo governo em R$ 3,6 bilhões para o mercado de gasolina e etanol em 2026, considerando também ações já existentes. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, explicou que, desde o dia 24 de setembro, o governo já destinou R$ 40 bilhões para ações de contenção de preços de combustíveis, justificando a medida pela guerra no Oriente Médio. Segundo ele, tais gastos serão parcialmente compensados pelas receitas extraordinárias obtidas com a exploração de petróleo pela União.

Durante entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, em Brasília, Moretti destacou a importância de uma fiscalização rigorosa para garantir que os benefícios das medidas cheguem ao consumidor final. Ele reforçou que o governo acompanha semanalmente os preços e espera que a redução seja efetiva na ponta, desde que haja vigilância adequada.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em setembro, os preços dos combustíveis aceleraram 1,41%, contribuindo para o aumento da inflação do mês, que ficou em 0,82%. O setor de transportes, que inclui gasolina, etanol e diesel, foi responsável por 0,18 ponto percentual desse índice, influenciado também pelo aumento nas tarifas aéreas, de 9,66%. A inflação mais acentuada no mês veio do grupo de habitação, impulsionada pelo aumento na energia elétrica.

A escalada dos preços dos combustíveis está relacionada à instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravada pelo conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro deste ano. A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel elevou a volatilidade do mercado de petróleo, especialmente devido às restrições na navegação pelo Estreito de Ormuz, uma via estratégica que responde por cerca de 20% a 25% do petróleo consumido mundialmente. Antes do conflito, o preço do barril de petróleo tipo Brent oscilava em torno de US$ 70, mas, com o agravamento da situação, atingiu valores superiores a US$ 120. Na manhã desta sexta-feira, 9 de outubro, o preço do Brent apresentou uma leve queda, sendo negociado a US$ 104,11 às 11h05, uma redução de 0,17% em relação às últimas 48 horas.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *