A Polícia Federal (PF) realizou nesta sexta-feira, 25 de setembro, a prisão do candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL), Daniel Trindade, de 42 anos, na cidade de Boa Vista, capital de Roraima. A ação faz parte da operação denominada “Cunhambebe”, que investiga a atuação do candidato na criação de uma milícia privada e outros crimes no estado. Durante as diligências, os agentes também localizaram materiais que indicam a prática de crimes eleitorais relacionados à suposta compra de votos, levando Trindade à sede da Polícia Federal para os devidos esclarecimentos.
A operação envolveu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao candidato em Boa Vista e no município de Cantá, localizado na região norte de Roraima. Os locais investigados eram utilizados por Trindade, que além de candidato, é delegado da Polícia Civil do Amazonas (PCAM), lutador profissional de jiu-jítsu e advogado. A ação visou arrecadar provas que pudessem comprovar as suspeitas de envolvimento do candidato em atividades ilícitas, incluindo a formação de uma milícia privada, além de possíveis irregularidades na campanha eleitoral.
Durante as buscas, os policiais apreenderam documentos e aparelhos eletrônicos, cuja perícia deverá esclarecer o conteúdo e estabelecer possíveis ligações com os crimes investigados. O juiz responsável pela decisão autorizou a apreensão do material e também permitiu que Trindade fosse revistado em vias públicas, considerando sua rotina de viagens frequentes pelo interior de Roraima durante o período eleitoral. Essa medida visa garantir que o candidato não utilize de sua posição ou transporte para atividades ilícitas.
Além das ações de busca e apreensão, a Justiça impôs restrições ao candidato, proibindo-o de ingressar em terras indígenas do estado e de manter contato com membros da Comunidade Napoleão, bem como com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima. Essa determinação busca evitar qualquer influência ou tentativa de cooptação de comunidades locais, além de restringir possíveis ações que possam comprometer a integridade do processo eleitoral.
Outro ponto relevante da decisão judicial foi a suspensão de um curso de segurança privada ministrado por Trindade, por um período de 180 dias. Segundo informações da Polícia Federal, as aulas eram realizadas de forma clandestina, sem autorização dos órgãos reguladores, e tinham como objetivo o ensino de táticas operacionais de segurança. A realização de treinamentos não autorizados representa uma potencial ameaça à ordem pública e à segurança durante o período eleitoral.
Caso descumpra as medidas impostas pela Justiça, o candidato poderá ter sua prisão preventiva decretada, reforçando o caráter de rigor da investigação. A Polícia Federal ainda tenta contato com a defesa de Daniel Trindade para obter manifestação oficial sobre o caso, mas até o momento não houve resposta. A operação “Cunhambebe” demonstra o esforço das autoridades em coibir práticas ilegais no contexto eleitoral e na segurança pública no estado de Roraima.


