A Receita Federal do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 24 de setembro, a conclusão da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que resultou na identificação de uma movimentação financeira suspeita de aproximadamente R$ 11,6 bilhões. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esses recursos passaram por diversas camadas de fundos, empresas e instituições financeiras, utilizados como mecanismos de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro. A operação, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pelo Gaeco, investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o mercado financeiro, além da aquisição de distribuidoras de combustíveis e usinas sucroalcooleiras.
Durante entrevista, Durigan destacou que a força-tarefa tem observado a utilização de estruturas complexas, incluindo fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada, para ocultar o controle de ativos e facilitar operações ilícitas. Ele afirmou que a investigação aponta para uma verdadeira “lavanderia” do crime organizado no país, que, com o avanço de sistemas automatizados e o uso de inteligência artificial, será cada vez mais fácil de ser detectada pelas autoridades.
A operação identificou que essas estruturas financeiras foram empregadas para facilitar a compra de uma distribuidora de combustíveis, além de ocultar a verdadeira propriedade de quem de fato era o adquirente. Entre os 40 alvos da ação, estão nomes de destaque no setor financeiro e empresarial, como Humberto Tupinambá, sócio proprietário do Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono do Grupo Entre Investimentos e delator do Caso Master.
Durigan ressaltou a colaboração entre diferentes órgãos de fiscalização e investigação, incluindo a Receita Federal, o Ministério Público de São Paulo, o Gaeco, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Segundo ele, essa integração tem sido fundamental para desmantelar esquemas complexos de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
O ministro também anunciou que a próxima etapa das investigações focará na empresa Entre, que teria atuado como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro, facilitando a aquisição de uma distribuidora de combustíveis por parte de uma usina sucroalcooleira. Segundo Durigan, essa operação demonstra a sofisticação dos mecanismos utilizados pelos criminosos para esconder a origem ilícita de seus recursos e ativos.
A terceira fase da Operação Carbono Oculto reforça o esforço do governo brasileiro no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, especialmente em setores estratégicos da economia. A utilização de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, promete ampliar a capacidade de fiscalização e repressão, dificultando a atuação de grupos criminosos no país.


