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Estudo revela que infecções congênitas por TORCH aumentam risco de autismo e dificuldades no neurodesenvolvimento

Estudo revela que infecções congênitas por TORCH aumentam risco de autismo e dificuldades no neurodesenvolvimento

Um estudo recente conduzido pelo Instituto Karolinska, uma renomada universidade sueca, aponta que infecções congênitas transmitidas de mãe para filho durante a gestação podem triplicar as chances de a criança desenvolver Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao longo da vida. Além disso, a pesquisa indica que a probabilidade de diagnóstico de deficiência intelectual nesta população é mais de sete vezes maior do que na média geral. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica JAMA Pediatrics nesta segunda-feira, dia 21 de setembro de 2023.

A investigação focou especificamente nas infecções categorizadas como TORCH, sigla que agrupa agentes infecciosos como citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose, herpesvírus, além de outras infecções como sífilis, HIV, zika e hepatite B. Essas infecções, embora geralmente não atinjam diretamente o feto na maioria dos casos, podem, em certas circunstâncias, atravessar a placenta e infectar o bebê em desenvolvimento. Essa transmissão pode ocasionar impactos diversos no neurodesenvolvimento da criança, incluindo transtornos como o autismo.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram registros de saúde e educação de uma amostra de 3,7 milhões de indivíduos nascidos na Suécia entre 1987 e 2021. Dentre eles, 975 crianças foram diagnosticadas com infecção congênita por agentes do grupo TORCH. O acompanhamento dessas crianças foi realizado por até três décadas, permitindo uma análise detalhada do impacto dessas infecções no desenvolvimento neurológico e no desempenho escolar ao longo do tempo.

Os resultados mostraram que a prevalência de autismo entre as crianças com infecção congênita por TORCH foi aproximadamente três vezes maior do que naquelas sem a condição. Ainda, o risco de diagnóstico de TEA nível 1 foi mais de sete vezes superior, enquanto para os níveis 2 e 3 o risco aumentou até 30 vezes. Apesar desses números, os pesquisadores destacam que as infecções congênitas por TORCH são eventos raros, representando uma pequena parcela dos casos de autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento na população geral.

Por outro lado, a pesquisa sugere que cerca de uma em cada cinco crianças com infecção congênita por TORCH tem potencial de receber um diagnóstico de autismo futuramente, o que reforça a importância de estratégias de prevenção. Segundo os autores, este é o estudo mais abrangente até o momento que investiga a relação entre essas infecções e o desenvolvimento de transtornos neuropsiquiátricos, fornecendo evidências robustas sobre o impacto de infecções transmitidas durante a gravidez.

Hugo Sjöqvist, principal autor do estudo, afirmou que, embora seja sabido há tempos que infecções como as do grupo TORCH podem causar condições do neurodesenvolvimento, a ligação específica com o autismo ainda não era totalmente clara em pesquisas anteriores, muitas das quais envolveram grupos de pacientes menores. Os pesquisadores ressaltam a importância de medidas preventivas para reduzir a incidência dessas infecções durante a gestação, uma vez que, embora raras, elas podem ter efeitos duradouros no desenvolvimento cerebral da criança.

Segundo Renée Gardner, um dos autores do estudo, os resultados reforçam a necessidade de ações de saúde pública voltadas à prevenção de infecções transmissíveis na gestação, uma vez que algumas dessas doenças podem ser evitadas. Assim, o estudo evidencia que a redução da ocorrência de infecções congênitas por TORCH pode contribuir para diminuir o risco de transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo o autismo, reforçando a relevância de estratégias de vacinação, acompanhamento pré-natal mais rigoroso e educação em saúde para gestantes.

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