Correio Divinopolitano

CNBB cria grupo de trabalho para debater inteligência artificial e o futuro da Igreja no Brasil

CNBB cria grupo de trabalho para debater inteligência artificial e o futuro da Igreja no Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anunciou a formação de um novo grupo de trabalho dedicado a analisar os impactos da inteligência artificial (IA) e outras tecnologias emergentes na atuação da Igreja Católica no país. A iniciativa busca compreender de que forma as inovações tecnológicas podem transformar aspectos como a catequese, a comunicação digital e a relacionamento da Igreja com seus fiéis, refletindo sobre a “Igreja do futuro”.

De acordo com o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, o foco das discussões será amplo, abrangendo desde o uso de IA até as mudanças na forma de evangelização e na presença digital da Igreja. Ele destacou que, atualmente, a Igreja ainda mantém uma postura predominantemente analógica, e que o objetivo do grupo é promover um debate aprofundado sobre como incorporar essas tecnologias às práticas pastorais e administrativas. “A ideia é colocar o assunto em pauta, discutir como vai ser a catequese do futuro, a igreja do futuro, como vamos usar a internet, a inteligência artificial”, afirmou.

O bispo explicou que, embora os bispos já recebam análises sobre temas sociais e questões internas da Igreja, a criação do novo grupo acrescenta uma perspectiva específica sobre as possibilidades e riscos relacionados à inteligência artificial. Segundo ele, essa iniciativa também se apoia na orientação do Papa Leão XIV, que já abordou o tema em sua encíclica Magnifica Humanitas, destacando a importância de refletir sobre os limites da tecnologia e a preservação das relações humanas diante do avanço tecnológico.

Dom Ricardo destacou ainda que o grupo de trabalho será coordenado pelo bispo de Campo Limpo (SP), dom Valdir José de Castro, e contará com a participação de acadêmicos, professores e especialistas de diferentes áreas do conhecimento. A composição do grupo visa garantir uma análise multidisciplinar, capaz de orientar a Igreja na adaptação às novas realidades tecnológicas, de modo a projetar ações que respeitem os valores humanos e espirituais.

A discussão sobre o papel da inteligência artificial na Igreja ocorre em um contexto de preocupações levantadas pelo próprio pontificado de Leão XIV, que já alertava para os limites do desenvolvimento tecnológico. Na encíclica Magnifica Humanitas, o Papa afirmou que a IA pode imitar comportamentos humanos e reproduzir formas de comunicação, mas ressaltou que essas ferramentas “não compreendem o que produzem”. Ele também advertiu contra a substituição da experiência humana pelo avanço tecnológico, afirmando que “a humanidade – magnífica e ferida – não deve ser substituída nem superada”.

A iniciativa da CNBB reflete uma preocupação crescente da Igreja em dialogar com as mudanças sociais e tecnológicas, buscando equilibrar inovação e valores espirituais. A formação do grupo de trabalho visa criar uma base de reflexão e orientação que possa subsidiar futuras ações pastorais e institucionais, garantindo que o uso da inteligência artificial seja compatível com os princípios éticos e humanos defendidos pela Igreja Católica.

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