Correio Divinopolitano

Zambelli afirma não ter fugido da Itália e diz permanecer no país cumprindo determinações da Justiça italiana

Zambelli afirma não ter fugido da Itália e diz permanecer no país cumprindo determinações da Justiça italiana

A ex-deputada federal Carla Zambelli divulgou neste domingo (26) um vídeo nas redes sociais no qual nega ter fugido da Itália e afirma estar no país cumprindo todas as determinações da Justiça italiana. Em seu relato, Zambelli rebate declarações do deputado italiano Angelo Bonelli, que voltou a comentar o caso envolvendo a parlamentar brasileira e levantou dúvidas sobre seu paradeiro. Segundo a ex-parlamentar, Bonelli transformou a situação em uma “missão pessoal”. “Eu não sou uma fugitiva. Cheguei à Itália para buscar proteção em um país do qual também sou cidadã. Desde que fui libertada, permaneci na Itália e meu endereço é conhecido pelas autoridades italianas”, disse a ex-deputada, conforme o vídeo divulgado.

Zambelli acrescentou que não divulgará publicamente o local onde permanece por questões de segurança. Ela ressaltou ainda que atuou por anos no combate ao crime organizado e que, por isso, tem o direito de preservar a própria integridade e a de sua família, destacando o peso de sua experiência na área de segurança pública para sustentar essa posição.

No vídeo, a ex-deputada afirmou que a Justiça italiana determinou um novo exame sobre o seu processo de extradição, após anular uma decisão anterior que era favorável ao envio dela ao Brasil. De acordo com Zambelli, esse apontamento indica que ainda existem questões jurídicas a serem examinadas pelas autoridades italianas, o que reforçaria a necessidade de uma avaliação cuidadosa por parte do sistema judiciário local.

A parlamentar voltou a sustentar que é alvo de perseguição política no Brasil e atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a condução desse processo no país. Ela afirmou que pretende permanecer na Itália enquanto aguarda o desfecho do caso e manifestou confiança na Justiça italiana, ressaltando que a decisão sobre seu futuro depende de decisões judiciais no território italiano.

Ao final da gravação, Zambelli agradeceu o apoio recebido tanto de brasileiros quanto de italianos e afirmou que pretende retornar ao Brasil apenas quando, segundo suas palavras, houver uma “verdadeira normalidade democrática”. O pronunciamento reforça o caráter de defesa pública que a ex-deputada vem mantendo desde que o tema da extradição voltou a ganhar contorno no debate público, com reverberações tanto na Itália quanto no Brasil.

Contexto recorrente e reação internacional

O caso envolve um conjunto de desdobramentos jurídicos que se desenrolam principalmente no âmbito da Justiça italiana. A situação de Zambelli ganhou projeção internacional após a escolha de manter residência na Itália, país que lhe concede proteção e permite, segundo a narrativa apresentada pela ex-deputada, que continue a contestar medidas de extradição. A oposição entre autoridades brasileiras e italianas, com participação de parlamentares de ambos os lados, tem alimentado discussões sobre a integridade do processo e a atuação de figuras públicas envolvidas em controvérsias legais. A defesa de Zambelli sustenta que as acusações e o andamento processual não devem ser interpretados como perseguição institucional, mas como parte de um litígio jurídico em desenvolvimento no país anfitrião. A ex-parlamentar, por sua vez, reforça a leitura de que os mecanismos democráticos brasileiros estariam sendo usados para pressioná-la politicamente, o que ela atribui ao atual governo e às lideranças do STF, em especial o ministro Moraes.

Impacto no debate público e nas relações bilaterais

As declarações de Zambelli aparecem em um momento em que o tema da cooperação judiciária entre Brasil e Itália é assunto de interesse público, com a declaração de que há novos exames no processo de extradição. Embora não haja confirmação oficial de alterações no calendário processual, a narrativa apresentada pela ex-deputada sugere que a Justiça italiana permanece atenta a eventuais contestações à decisão de extradição e que os prazos e etapas legais ainda podem alterar o desfecho do caso. A percepção de perseguição política no Brasil ressalta o tom de litigância política que envolve o episódio, com críticas direcionadas a autoridades brasileiras. A imprensa e especialistas observam o desdobramento com atenção às implicações legais, diplomáticas e sociais que um caso desse porte pode ter para a imagem de cooperação entre os dois países e para a segurança de indivíduos que, sob proteção, se veem no centro de controvérsias internacionais.

Perspectiva de futuro

Zambelli afirmou que pretende permanecer na Itália até que haja uma resolução final do processo, confiando na justiça italiana para a condução adequada dos próximos passos. A possibilidade de retorno ao Brasil dependerá, no entendimento da ex-deputada, de um cenário de normalidade democrática, que ela enxerga como essencial para o governo de seu país. O posicionamento de Zambelli sinaliza que, independentemente do desfecho jurídico, o tema continuará a gerar debates entre defensores de direitos civis, operadores do direito e autoridades políticas, com repercussões sobre a forma como casos de extradição são tratados em foros internacionais. O episódio, portanto, não apenas envolve a vida de uma ex-parlamentar, mas também se insere na discussão mais ampla sobre segurança, justiça e a percepção pública de imparcialidade diante de acusações envolvendo figuras públicas de alto impacto.

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