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Desabamento de barracões durante temporal deixa 37 pessoas desalojadas em Belo Horizonte

Desabamento de barracões durante temporal deixa 37 pessoas desalojadas em Belo Horizonte

Trinta e sete pessoas, de cerca de 13 famílias, precisaram deixar suas casas depois que parte de um conjunto de barracões desabou durante o temporal que atingiu Belo Horizonte na noite de quinta-feira (5). O imóvel fica na rua Benjamin Fraga, no bairro Nazaré, na região Nordeste da capital. Não houve registro de feridos, mas a Defesa Civil identificou risco de novos desabamentos, interditou as estruturas comprometidas e isolou áreas próximas.

O episódio também trouxe à tona reclamações antigas de moradores sobre as condições de segurança da construção. Vizinhos afirmam que os problemas estruturais eram conhecidos havia anos e classificam o desabamento como uma “tragédia anunciada”. Segundo os relatos, os barracões teriam sido erguidos sem vigas e sem outros elementos considerados importantes para a estabilidade das edificações.

As denúncias de irregularidades e a possível existência de notificações anteriores ao proprietário, no entanto, ainda não foram confirmadas pela Defesa Civil. O responsável pelo imóvel foi notificado após a vistoria realizada nesta sexta-feira (6) e recebeu orientações sobre os problemas encontrados e sobre a necessidade de adotar providências para garantir a segurança no local.

O empresário Cláudio Santos Ferreira, que mora nas proximidades, afirmou que a construção foi sendo ampliada sem os recursos necessários para assegurar a resistência dos imóveis. “Ele foi construindo, não tem estrutura, vigas, nada. É uma tragédia anunciada”, declarou.

O enfermeiro Jonathan Abdala também relatou que os moradores conheciam os riscos. De acordo com ele, era comum evitar a passagem ao lado do conjunto de barracões por causa do temor de um desabamento. Jonathan disse ainda que o proprietário já teria sido alertado anteriormente, mas não teria tomado as medidas necessárias.

“Construção irregular, é tudo irregular. O valor é irrisório para as pessoas morarem, por isso é muito precário o local onde vivem. Não é a primeira vez, o dono já foi notificado, não tomou as devidas providências e agora caiu novamente”, afirmou.

Segundo o enfermeiro, o receio fazia com que moradores alterassem seus trajetos cotidianos. “Nós que moramos aqui sempre passamos pelo lado contrário, temendo que as casas caíssem”, acrescentou.

Morador ouviu estalos e ajudou na retirada das famílias

O serralheiro Marcos Túlio de Jesus vivia em um dos imóveis atingidos. Ele contou que percebeu sinais de instabilidade antes da queda ao ouvir estalos na estrutura. Diante do risco, deixou a própria residência para alertar os vizinhos e auxiliar na retirada das pessoas que ainda estavam dentro dos barracões.

“Se eu não tivesse avisado os outros, tinha gente acidentada lá dentro”, disse Marcos. O morador conseguiu retirar os documentos pessoais, mas não teve tempo de salvar os demais pertences. Na sexta-feira (6), ele voltou ao endereço para tentar recuperar alguns objetos.

Marcos afirmou que a casa onde vivia apresentava problemas havia bastante tempo e que, na avaliação dele, a estrutura já estava comprometida há anos. “Essa casa já estava condenada há anos. Deus é quem estava colocando a mão e segurando”, declarou.

Ainda não há confirmação sobre o horário exato do desabamento. Alguns moradores disseram que a estrutura cedeu por volta das 21h. Outros vizinhos, porém, afirmaram que a queda teria ocorrido perto da meia-noite.

Famílias foram levadas para abrigo municipal

Entre as pessoas retiradas estavam idosos, crianças e duas mulheres grávidas. As famílias foram encaminhadas para o Abrigo Tia Branca, localizado na rua Além Paraíba, no bairro Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Durante a inspeção feita na sexta-feira, a Defesa Civil constatou condições de risco tanto nos barracões atingidos quanto nas áreas próximas. Por esse motivo, determinou a interdição dos imóveis afetados e restringiu preventivamente a circulação em trechos adjacentes, diante da possibilidade de novos colapsos.

A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para esclarecer as denúncias de irregularidades e verificar se havia registros de notificações anteriores ao proprietário. Até a publicação, não havia recebido resposta.

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