Uma parceria entre pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP) conseguiu criar um teste que pode identificar superbactérias resistentes ao antibiótico carbapenêmicos, usados em graves infecções, em seis horas.
Publicado recentemente no PubMed e em outros periódicos científicos internacionais, o método, similar a um de gravidez, pode encurtar o tempo de cerca de três dias para identificar uma das bactérias consideradas as mais perigosas para os médicos, as enterobactérias resistentes.
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De acordo com os pesquisadores, esse teste significa um avanço na identificação tardia de um grupo de bactérias intestinais comuns, como a Klebsiella pneumoniae e a Escherichia coli, diminuindo o risco de transmissão prolongada e de isolamento do paciente.
Atualmente, quando há suspeita de que um indivíduo está infectado com uma enterobactéria resistente a carbapenêmicos (CRE), no método tradicional, ele fica isolado por três dias (72 horas).
O novo teste imunocromatográfico (TIC) reduz esse tempo em mais de 60 horas para obter o diagnóstico, sendo essencial na prevenção e no controle de infecções, além de melhorar a eficácia do tratamento.
Como método, os pesquisadores fizeram um estudo quase-experimental em duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais do país. Eles fizeram uma comparação entre o período basal e o de intervenção.
No período basal, a triagem de CRE baseava-se em cultura com um swab retal, a qual era acompanhada semanalmente. Já no período de intervenção, foi adicionado o teste GeneXpert Carba-R PCR ou o teste rápido de contato (ICT).
Dessa forma, eles avaliaram a prevalência de CRE na admissão, a taxa de internação em UTI, o tempo de início ou interrupção de precauções de contato e os desempenhos dos testes.
Foram analisados 1.128 pacientes durante o período basal e 385 durante a intervenção. De 5% a 12% estavam colonizados por CRE na admissão. O teste apresentou 91% de sensibilidade, 99% de especificidade, 86% de valor preditivo positivo e 99% de valor preditivo negativo para a detecção de CRE.
Os testes de ICT e PCR diminuíram o tempo de diagnóstico de 181 para 108 horas e de 155 para 77 horas.
Assim, eles concluíram que os testes imunocromatográficos (TICs) são uma opção prática de rastreio, além de serem economicamente viáveis com recursos limitados.


