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Uso precoce de estatinas em pacientes com diabetes tipo 2 pode reduzir risco de demência, aponta estudo

Uso precoce de estatinas em pacientes com diabetes tipo 2 pode reduzir risco de demência, aponta estudo

Pesquisadores do Hospital Universitário de Copenhagen, na Dinamarca, divulgaram uma investigação que sugere uma possível relação entre o início do tratamento com estatinas e a diminuição do risco de desenvolvimento de demência em pacientes com diabetes tipo 2. O estudo, apresentado neste domingo (30/8) durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, analisou dados de mais de 132 mil indivíduos e reforça a importância do uso de medicamentos tradicionais para a prevenção de doenças neurodegenerativas em populações de risco.

Com o envelhecimento global, a comunidade científica busca estratégias eficazes para prevenir doenças relacionadas à idade, como a demência. Entre os fatores de risco conhecidos, destacam-se o controle do colesterol e o manejo adequado da diabetes, condições que, se não tratadas, aumentam significativamente as chances de desenvolver problemas cognitivos ao longo do tempo. Nesse contexto, o estudo dinamarquês concentrou-se na associação entre o uso de estatinas, medicamentos de baixo custo e amplamente utilizados para tratar colesterol alto, e a incidência de demência em pacientes com diabetes tipo 2.

Os pesquisadores partiram da hipótese de que a administração precoce de estatinas após o diagnóstico de diabetes poderia estar relacionada a uma redução no risco de desenvolver demência. Para testar essa hipótese, utilizaram uma abordagem que simulava um ensaio clínico randomizado, minimizando vieses comuns em estudos observacionais. A análise envolveu dados de indivíduos que, entre 2006 e 2019, não utilizavam estatinas no momento do diagnóstico de diabetes, mas posteriormente iniciaram o tratamento em diferentes momentos: até um ano após o diagnóstico, entre um e cinco anos após, ou não iniciaram o uso durante o período de acompanhamento.

O acompanhamento dos participantes durou em média sete anos. Durante esse período, observou-se que 2,7% dos pacientes desenvolveram demência. Os resultados indicaram que aqueles que começaram a usar estatinas de forma precoce, ou seja, nos primeiros cinco anos após o diagnóstico de diabetes, apresentaram um risco relativo 10% menor de desenvolver a doença neurodegenerativa em comparação aos que não iniciaram o tratamento nesse período. Esses dados reforçam a potencial proteção conferida pelas estatinas contra o declínio cognitivo em populações de risco.

As estatinas atuam bloqueando uma enzima no fígado responsável pela produção de colesterol, além de estabilizar placas de gordura existentes e reduzir a inflamação nas artérias, beneficiando a saúde cardiovascular. Apesar de sua eficácia e baixo custo, o estudo aponta que o uso dessas drogas ainda é subutilizado em pacientes com diabetes tipo 2, mesmo considerando seus efeitos na prevenção de doenças cardíacas.

Os autores do estudo destacam a relevância de garantir que pacientes com diabetes tipo 2 e níveis elevados de LDL-C recebam tratamento adequado de forma oportuna. Segundo Tummas Ternhamar, um dos principais pesquisadores envolvidos, as evidências sugerem que a administração de estatinas não só protege o coração, mas também pode contribuir para a redução do risco de demência, uma condição que impacta significativamente a qualidade de vida dos idosos. A publicação dos resultados na revista The Lancet Regional Health – Europe reforça a importância de estratégias de intervenção precoce na gestão de pacientes com diabetes, visando uma abordagem mais ampla de prevenção de doenças relacionadas à idade.

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