O setor supermercadista de Minas Gerais ainda não definiu como vai adaptar o funcionamento das lojas às mudanças previstas com o fim gradual da escala 6×1. Durante a abertura da Superminas, realizada nesta terça-feira (27), no Expominas, em Belo Horizonte, o presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni, afirmou que a categoria discute alternativas para manter o atendimento ao público e suprir a demanda por mão de obra. Entre as possibilidades defendidas para o futuro está a adoção da remuneração por hora trabalhada.
Segundo Poni, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mantém conversas com o poder público para viabilizar um modelo de trabalho por hora que preserve os direitos dos trabalhadores. A proposta permitiria aos supermercados ampliar a presença de funcionários nos períodos de maior movimento, ajustando a força de trabalho às necessidades de cada estabelecimento.
A discussão ocorre após a promulgação da Emenda Constitucional 141, em 16 de outubro. O texto estabelece a redução gradual da jornada máxima de trabalho, que atualmente é de 44 horas semanais. A mudança será implementada sem redução salarial e prevê dois dias de descanso remunerado por semana.
De acordo com o cronograma previsto na emenda, o limite da jornada passará para 42 horas semanais a partir de 16 de dezembro de 2026. A redução para 40 horas semanais deverá entrar em vigor em 16 de dezembro de 2027. A transição exige que os setores econômicos revisem suas escalas e formas de organização do trabalho.
Entidades discutem regras para a transição
O presidente da Amis afirmou que as entidades representativas do comércio estão debatendo alternativas com o governo e os sindicatos. Entre os caminhos analisados estão a construção de acordos coletivos e a definição de mecanismos para organizar a transição até a adoção integral dos novos limites de jornada.
Até o momento, no entanto, não há uma definição sobre como as mudanças serão aplicadas na rotina dos supermercados. O segmento precisa considerar, ao mesmo tempo, a nova jornada dos empregados e a necessidade de manter as lojas em funcionamento durante períodos extensos do dia.
Uma das principais preocupações apresentadas por Poni está relacionada ao atendimento aos consumidores, sobretudo aos domingos. Nesse dia, segundo o presidente da associação, os estabelecimentos precisam conciliar a demanda dos clientes com a elaboração das escalas e a garantia dos períodos de descanso dos funcionários.
“Nós temos que ter um tempo de abertura das lojas. Então, ainda é muito cedo para falar como é que nós vamos agir”, afirmou Poni. A declaração reflete a incerteza do setor sobre o formato que será adotado para preservar o horário de funcionamento sem descumprir as novas regras trabalhistas.
Apesar das dúvidas e dos debates em andamento, o presidente da Amis afirmou que os supermercados vão cumprir as normas estabelecidas. A entidade, contudo, busca participar das discussões sobre os mecanismos de implementação, especialmente em relação à contratação e à distribuição da mão de obra ao longo da semana.
A Superminas continua até quinta-feira (29), no Expominas, reunindo empresas e profissionais do setor supermercadista. O evento também serve como espaço para o debate sobre os impactos das mudanças na legislação trabalhista e os desafios operacionais enfrentados pelo segmento.


