Cerca de um em cada quatro adultos com diabetes apresenta perda auditiva moderada ou grave, segundo uma revisão de estudos publicada na revista científica Diabetes/Metabolism Research and Reviews. A análise indica ainda que pessoas com a doença têm 2,41 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de alteração na audição do que adultos sem diabetes.
O levantamento reuniu resultados de 23 pesquisas, com a participação de 5.221 adultos com diabetes, principalmente do tipo 2. A estimativa de que 24% dos pacientes apresentam perda auditiva foi baseada em alterações capazes de dificultar o acompanhamento de conversas, sobretudo em ambientes com ruído.
A comparação com pessoas sem diabetes foi feita a partir de 11 dos estudos analisados, que incluíam grupos de controle. Os resultados mostraram uma associação mais forte entre os participantes com menos de 60 anos. Nesse grupo, as chances de apresentar perda auditiva foram aproximadamente três vezes maiores entre os adultos com diabetes. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, porém, a diferença observada não foi considerada estatisticamente significativa.
Segundo os autores da revisão, a concentração elevada de açúcar no sangue pode danificar pequenos vasos sanguíneos e nervos relacionados ao funcionamento do ouvido interno. Essa região é responsável por captar os sons e transmitir as informações ao cérebro. Com base nos resultados, os pesquisadores defendem que avaliações auditivas de rotina sejam incorporadas ao acompanhamento de adultos com diabetes, a fim de identificar precocemente possíveis alterações.
Diabetes pode afetar diferentes órgãos
O diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, condição conhecida como hiperglicemia. O problema ocorre quando há falhas na produção ou na ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. A insulina permite que a glicose entre nas células e seja utilizada nas atividades do organismo. Quando o hormônio não é produzido em quantidade suficiente ou não funciona adequadamente, o açúcar se acumula na circulação e pode causar danos a diferentes órgãos.
A doença pode atingir os olhos, os rins, os nervos e o coração, especialmente quando não é tratada de forma adequada. Entre as complicações associadas ao controle insuficiente da glicemia estão a perda auditiva, a neuropatia, as doenças cardiovasculares, a retinopatia e a depressão.
A alimentação inadequada, com excesso de produtos industrializados e açucarados, é apontada como uma das principais causas do diabetes. A falta de atividade física também contribui para o desenvolvimento da doença. Histórico familiar e obesidade estão entre os fatores de risco.
Principais tipos e sinais da doença
O diabetes tipo 1 ocorre quando o pâncreas deixa de produzir insulina. É a forma menos comum da doença e, conforme as informações apresentadas, surge desde o nascimento. Pessoas com esse tipo de diabetes precisam utilizar injeções diárias de insulina para manter a glicose em níveis adequados.
O tipo 2 é a forma mais frequente e aparece quando o organismo desenvolve resistência à insulina ou quando o pâncreas produz uma quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento envolve controle da alimentação e prática regular de atividades físicas.
Já o diabetes gestacional pode surgir durante a gravidez, geralmente em mulheres com histórico familiar da doença. A resistência à insulina tende a ocorrer principalmente a partir do segundo trimestre e pode provocar complicações para o bebê, como má-formação, prematuridade e problemas respiratórios.
Também existem formas mais raras relacionadas a doenças do pâncreas, alterações genéticas, doenças endócrinas ou uso de medicamentos. O termo pré-diabetes é utilizado quando os níveis de açúcar no sangue estão elevados, mas ainda não atingem os critérios para o diagnóstico do diabetes.
Entre os sintomas mais comuns estão sede intensa, aumento da frequência urinária e coceira no corpo. Visão embaçada, micoses e infecções frequentes, saliências ósseas nos pés e perda de sensibilidade na região também podem indicar a presença da doença.
O diagnóstico pode ser feito por exames de rotina, como a glicemia em jejum. Valores inferiores a 99 mg/dL são considerados normais; entre 100 e 125 mg/dL indicam pré-diabetes; e resultados acima de 126 mg/dL podem caracterizar diabetes.
Independentemente do tipo, o tratamento tem como objetivo controlar a glicose. Uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso, os níveis glicêmicos e o colesterol sob controle, além de reduzir o risco de complicações.


