O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta quarta-feira (7/10) que colocará em votação requerimentos para alterar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1, caso esses pedidos sejam apresentados pelos parlamentares. A iniciativa faz parte de uma estratégia do governo federal, que busca estabelecer um calendário especial de votação para essa matéria, enquanto a oposição organiza esforços para atrasar o processo.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), está atualmente colhendo assinaturas para formalizar um calendário legislativo que privilegie a votação da PEC na próxima semana. A intenção do governo é apresentar e votar esse calendário ainda na semana em curso, com o objetivo de acelerar o procedimento antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 30 de outubro. Para isso, ela mantém conversas com líderes partidários na tentativa de obter o apoio necessário para garantir a aprovação do cronograma.
Enquanto o governo busca avançar com a votação, a oposição também se organiza para impedir ou postergar o processo. Aliados do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, tentam adiar a votação para após o término do segundo turno, argumentando que essa discussão poderia influenciar o resultado eleitoral ou gerar instabilidade política. Em contrapartida, Alcolumbre afirmou que, inicialmente, se comprometeu a deixar a votação para depois das eleições, considerando que muitos senadores estavam em campanha e não desejavam que o debate sobre a PEC interferisse na disputa eleitoral.
No entanto, o presidente do Senado informou ter sido convencido pelos colegas a colocar a redução da jornada de trabalho em discussão logo após o primeiro turno, caso a PEC seja apresentada na sessão plenária desta semana. Alcolumbre destacou que, apesar de colocar a matéria em plenário, a tramitação seguirá o regimento interno, que prevê cinco debates e dois turnos de votação, com um intervalo de cinco dias úteis entre eles. A proposta de um calendário especial visa antecipar algumas etapas do processo, o que é contestado pela oposição, que tenta inviabilizar essa estratégia.
Durante a semana, senadores ligados ao bolsonarismo se reuniram para definir estratégias de atuação. Rogério Marinho (PL-RN), líder do grupo e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que a bancada pretende seguir o rito regimental, evitando “atropelos” na votação. Ele também criticou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho, alegando que a proposta, na visão dele, não beneficia o país.
O debate sobre a tramitação da PEC e o calendário de votação reflete as tensões políticas que permeiam o cenário eleitoral, com o governo buscando acelerar a aprovação de uma pauta que considera importante, enquanto a oposição tenta postergar o processo para evitar impactos na campanha eleitoral. A decisão final sobre o cronograma dependerá do andamento das negociações e das manifestações no plenário do Senado nas próximas horas.


