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Ministro da Fazenda questiona otimismo do mercado financeiro após primeiro turno das eleições presidenciais

Ministro da Fazenda questiona otimismo do mercado financeiro após primeiro turno das eleições presidenciais

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta quarta-feira, 7 de outubro, sua perplexidade diante da forte reação de otimismo observada no mercado financeiro após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. Desde o encerramento da votação no último domingo, dia 4 de outubro, quando o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os principais indicadores econômicos demonstraram sinais de valorização. A Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, registrou alta de 7,70% na segunda-feira seguinte ao pleito, ultrapassando a marca de 200 mil pontos pela primeira vez na história, atingindo picos superiores a 209 mil pontos. Além disso, o dólar comercial caiu abaixo de R$ 5, enquanto as taxas de juros futuros recuaram de forma significativa, movimentos que foram interpretados por investidores como sinais de uma possível mudança na condução da política econômica do país.

Durigan afirmou, durante sua participação no 9º Incorpora Abrainc, evento organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, que encontra dificuldades para compreender essa euforia. Segundo ele, a reação dos mercados estaria antecipando efeitos de uma eventual mudança de governo, mesmo sem que as propostas econômicas apresentadas pela oposição estejam suficientemente detalhadas até o momento. Ele destacou que, apesar do otimismo, não há clareza sobre como as metas econômicas, especialmente as relacionadas ao equilíbrio fiscal, seriam efetivamente alcançadas.

O ministro ressaltou que a movimentação dos investidores parece estar baseada em expectativas de que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em uma política fiscal mais restritiva, com foco na redução de despesas públicas, privatizações e medidas para conter o crescimento da dívida pública. No entanto, Durigan questionou a consistência dessas expectativas, especialmente em relação às promessas feitas pela campanha do candidato, que incluem a meta de atingir um superávit primário de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano de governo.

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro propõe uma série de medidas para melhorar as contas públicas, como a redução do número de ministérios, revisão de despesas administrativas, combate a supersalários, mudanças na estrutura do Estado e a utilização de ativos da União para ajudar na redução da dívida. Contudo, Durigan afirmou que até o momento não há demonstrações concretas de como tais ações poderiam possibilitar o alcance do superávit prometido. Ele criticou a proposta de vender ativos e privatizar setores do governo como uma estratégia suficiente para atingir a meta fiscal, afirmando que, ao analisar o passado, percebe-se que poucas dessas ações foram efetivamente implementadas.

O ministro concluiu que a promessa de alcançar um superávit de 1,5% do PIB no primeiro ano de mandato, apenas com a venda de ativos e cortes de despesas, é difícil de acreditar, especialmente sem um planejamento detalhado. Durigan afirmou que a situação atual parece mais uma expectativa baseada em especulações do que em planos concretos, descrevendo a euforia do mercado como uma “história de vender ativos, dizer que vai privatizar tudo e que vai fazer, no primeiro ano, um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como isso será feito”, comparando a situação a uma “venda de pastel de vento”. Essa declaração reforça o ceticismo do ministro quanto à sustentabilidade dessa reação positiva e evidencia a preocupação com a falta de detalhes na proposta econômica apresentada pelos candidatos.

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