Correio Divinopolitano

Proprietário de barracões que desabaram em BH afirma que havia identificado falhas na estrutura

Proprietário de barracões que desabaram em BH afirma que havia identificado falhas na estrutura

O proprietário do conjunto de barracões que desabou parcialmente na noite de quinta-feira (5), no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, afirmou que já havia percebido problemas na estrutura ao longo da semana. Segundo Azemir José da Silva, responsável pela construção, a previsão era realizar reforços emergenciais entre quinta e sexta-feira, mas o desabamento ocorreu antes que as intervenções fossem feitas. Uma vistoria da Defesa Civil, realizada na manhã de sexta-feira (6), apontou risco iminente de queda da parte que ainda permanecia de pé.

O imóvel está localizado na rua Benjamin Fraga e era ocupado por famílias que pagavam aluguel. De acordo com Azemir, os sinais de problemas vinham sendo observados durante a semana. Ele afirmou que trabalha como pedreiro e avaliava que teria tempo para executar os reparos necessários antes de um eventual colapso.

“Vinha dando problema durante a semana e eu estava observando. Eu sou pedreiro também. Achei que daria para hoje e amanhã dar os reforços, só que infelizmente não deu tempo”, declarou o proprietário.

O conjunto de barracões existe no endereço desde 1993. A propriedade pertence a vários irmãos, mas Azemir é o responsável por acompanhar a construção e responder pelas condições do imóvel. Abalado depois do desabamento, ele afirmou que mantém uma relação próxima com os moradores.

“Estou muito abatido, porque eu tenho consideração por esse pessoal que mora com a gente aí. E eles até gostam de ficar por aqui, né? Senão, não estariam. Mas infelizmente aconteceu”, disse.

Estrutura já havia desabado em 2005

Ao ser questionado sobre relatos de vizinhos a respeito de problemas antigos e de outros desabamentos no local, Azemir confirmou que uma ocorrência semelhante havia sido registrada em 2005. Ele também reconheceu que costuma reaproveitar materiais em construções e reformas, mas discordou da maneira como essa prática foi relatada por moradores da região.

“Eu posso usar, eu aproveito certas coisas. Eu sou aproveitador. Mas não é assim como dizem, que senão eu não estaria por aqui há mais de 30 anos”, afirmou.

O proprietário informou ainda que havia obras em andamento no imóvel quando ocorreu o desabamento. Após a vistoria realizada pela Defesa Civil, ele disse que pretende procurar os reparos necessários para a estrutura. Apesar de Azemir considerar que somente a área central do conjunto havia sido atingida e que o restante estaria sob controle, a avaliação técnica apontou uma situação diferente.

Defesa Civil determina retirada de mais famílias

A Defesa Civil identificou risco iminente de novo desabamento na parte da estrutura que continuava em pé. O órgão alertou que materiais poderiam atingir as ruas Benjamin Fraga e Angelina de Matos, o que levou à solicitação de isolamento de trechos das duas vias.

As áreas deverão permanecer interditadas enquanto houver possibilidade de queda de novos materiais. O proprietário será novamente notificado para adotar medidas emergenciais de segurança e deverá contratar um engenheiro habilitado. O profissional terá de avaliar o imóvel e indicar as intervenções necessárias para reduzir os riscos.

O agente de proteção e Defesa Civil Marcos Vinícius Victório informou que a vistoria feita na manhã de sexta-feira confirmou a possibilidade de queda da estrutura remanescente. Por causa dessa avaliação, outras famílias que ainda permaneciam no local também precisaram deixar os imóveis.

Ocorrência deixou 37 pessoas fora de casa

Inicialmente, o desabamento parcial, provocado pelo temporal que atingiu Belo Horizonte na noite de quinta-feira, obrigou 32 pessoas de 11 famílias a deixar os barracões. Na sexta-feira, a Defesa Civil determinou a retirada de mais duas famílias. Com a nova medida, o total chegou a 37 pessoas afetadas, pertencentes a 13 famílias.

Azemir confirmou que os imóveis eram alugados. Segundo ele, os pagamentos eram flexibilizados conforme a situação financeira dos moradores, que recebiam o Bolsa Família e contribuíam com os valores que conseguiam. O proprietário afirmou que todas as famílias estavam com parcelas atrasadas.

“Eu aluguei, mas assim, né? Dou chance para eles, né? São pessoas de Bolsa Família, eles pagam o que podem. Inclusive estão todos em atraso”, declarou.

Não houve registro de feridos. As famílias retiradas inicialmente foram encaminhadas ao Abrigo Tia Branca, no bairro Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *