A Prefeitura de Manaus informou que não houve nexo causal entre a morte de um homem de 67 anos e a exposição ao gás estireno que vazou na cidade na semana passada, durante o incidente na unidade 4 da Innova, localizada no Distrito Industrial. A investigação epidemiológica concluída pela administração municipal registrou a ausência de relação entre o óbito e a possível exposição ao estireno.
O óbito ocorreu em 16 de julho, um dia após o vazamento do gás na Innova, e o homem foi registrado como vítima sob investigação inicial de morte suspeita. Em nota, a prefeitura descreveu que a vítima era tabagista e possuía histórico de internações recentes por doenças cardiovasculares e pulmonares crônicas. Segundo informações oficiais, o homem já havia relatado mal-estar por sentir os efeitos do vazamento antes de falecer, o que motivou a vigilância médica e epidemiológica da cidade.
Paralelamente a esse caso, outra morte também é investigada como suspeita: a de um trabalhador de 66 anos, também na região do Distrito Industrial, ocorrida em 19 de julho. Ambos os casos permanecem sob apuração para confirmar ou não relação com o incidente de vazamento do estireno.
Panorama de saúde pública e monitoramento
Dados do painel de monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, desde o início do vazamento, 755 pessoas buscaram atendimento nas redes de saúde pública e privada da cidade. Desse total, uma pessoa permanece internada. A Prefeitura informou que, diante da gravidade do episódio, Manaus foi colocada em estado de alerta para evitar desdobramentos à saúde da população e para reforçar a vigilância epidemiológica na região.
Origem do vazamento e impacto local
O episódio ocorreu na unidade 4 da Innova, empresa do setor petroquímico instalada no Distrito Industrial. O vazamento aconteceu em um dos tanques da empresa, provocando a dispersão de um forte odor em bairros próximos. Moradores das regiões da Raiz, Praça 14 e Cachoeirinha relataram sentir um cheiro semelhante ao de tinta, o que levou a ações de monitoramento ambiental e de saúde da prefeitura.
A Innova informou que o vazamento teve origem após uma reação química ocorrida em um tanque de armazenamento de monômero de estireno na Unidade 4 da fábrica. O estireno é uma substância amplamente utilizada como matéria-prima na produção de plásticos, resinas e borrachas sintéticas. Em termos de saúde, a exposição ao estireno pode provocar irritação nos olhos, na pele e nas vias respiratórias. Em concentrações elevadas, há risco de afetar o sistema nervoso central, com sintomas como tontura e, em casos mais graves, perda de consciência. A prefeitura e órgãos competentes acompanham as informações técnicas e as medidas de contenção para evitar novos episódios de exposição e assegurar a segurança da população local.
As autoridades reiteram que as conclusões apresentadas até o momento indicam ausência de relação direta entre o óbito de 67 anos e a exposição ao estireno, com base na investigação epidemiológica realizada. No entanto, a investigação sobre a segunda morte permanece em andamento, e a vigilância ambiental e de saúde continua ativa para monitorar impactos à saúde pública e possíveis desdobramentos do incidente.


