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Dr. Furlan consolida aliança de centro-direita e prioriza governança local com neutralidade na pauta nacional

Dr. Furlan consolida aliança de centro-direita e prioriza governança local com neutralidade na pauta nacional

Dr. Furlan (PSD) formalizou, na convenção de sua coligação, a aliança do PSD com PL, Podemos e Novo para concorrer ao governo do Amapá, mantendo estratégia de neutralidade na disputa presidencial e distância da ampliação do embate nacional. O candidato, apresentado como conservador pela base aliada, mas sem alinhamento com o bolsonarismo, pretende estruturar a gestão estadual com visão municipalista e independência frente ao governo federal, independentemente de questões políticas. Furlan, que já foi prefeito de Macapá, foi escolhido oficialmente na última segunda-feira, 20 de julho, para disputar o governo do estado em oposição ao atual governador Clécio Luís (União Brasil).

Adversário de Davi Alcolumbre (União Brasil) na disputa pelo Senado, o ex-prefeito de Macapá conquistou a reeleição em 2024 no primeiro turno, com 85% dos votos, o que representa o maior desempenho entre as capitais brasileiras. Assíduo nas redes sociais e conhecido pela alcunha de “prefeitão”, Furlan angariou o apoio de quatro siglas sem se vincular a diretivas nacionais, uma prática comum entre parte do Centrão, que busca maior autonomia em políticas locais.

No âmbito da chapa majoritária nacional, o PSD formalizou, em 2026, a candidatura de Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto, com Gilberto Kassab ocupando a vice-presidência na chapa. Mesmo com nomes de peso na esfera federal, o grupo de Furlan não deverá participar ativamente da campanha presidencial em nível nacional, mantendo foco nas questões do Amapá. A tônica é de tolerância em relação a alianças regionais, priorizando acordos locais conforme a composição de cada estado, postura típica de parte do Centrão.

O panorama também envolve o PL, que tem Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência, com a deputada estadual Luciana Gurgel indicada para o cargo de vice-governadora em sua chapa. O Novo participa da coligação nacional com Romeu Zema, porém não terá candidato na chapa majoritária do Amapá. Já o Podemos define a candidatura ao Senado com Rayssa Furlan, ex-primeira-dama de Macapá, enquanto Lucas Barreto (PSD) disputará vaga na Casa Alta novamente, complementando a composição do Senado no estado.

Cenário estadual aponta para uma disputa acirrada entre dois polos de influência: o grupo liderado por Dr. Furlan e o bloco comandado por Davi Alcolumbre. A federação União Progressista formalizou, na sexta-feira, 24 de julho, a candidatura de Clécio Luís à reeleição para o governo do Amapá, com Teles Júnior (PDT) na vice. Após desistir de concorrer ao Senado, o grupo também aponta para a manutenção do pleito no executivo estadual. A chapa de Clécio Luís contará com Randolfe Rodrigues (PT) e Alliny Serrão (União Brasil) compondo a dupla no Senado, consolidando um leque de nove partidos para sustentar a reeleição do atual governador, entre eles União Brasil, PP, PT, PCdoB, PV, Rede, PSOL, PDT e Republicanos.

Pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas aponta vantagem expressiva de Furlan sobre Clécio Luís: 65,5% versus 26,3%. O levantamento, conduzido com 1.100 eleitores de 16 anos ou mais em 14 municípios entre 18 e 20 de julho, apresenta margem de erro de até 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Esses números refletem o momento de polarização entre as duas alas políticas de maior projeção no estado, ao menos à frente do pleito estadual.

No âmbito institucional, o Centrão se prepara para adotar uma posição de neutralidade nas eleições presidenciais deste ano durante as convenções abertas até 5 de agosto, redirecionando esforços para as disputas no Congresso Nacional. A estratégia envolve manter as siglas afastadas do palanque de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) em nível nacional, mas permitir apoios ou alinhamentos estaduais conforme a configuração local. Nesse sentido, União Brasil, Progressistas, Republicanos, MDB, Podemos e Solidariedade deverão adotar postura de distanciamento do debate presidencial ao menos no primeiro turno, preservando espaço para articulações institucionais regionais.

Antes de formalizar a candidatura, Furlan já enfrentava contestações judiciais. Em 22 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) rejeitou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder econômico referente às eleições municipais de 2024, concluindo pela aplicação de multa ao candidato e ao então vice-prefeito. Embora o TRE tenha mantido a sanção financeira, a inelegibilidade não foi declarada. O Ministério Público Eleitoral havia pedido, de forma cautelar, que o registro de candidatura só fosse analisado após a decisão sobre a elegibilidade ser concluída. A decisão foi divulgada após questionamentos feitos pelo Metrópoles, na coluna de Manoela Alcântara, sobre a apresentação do requerimento de registro por Furlan à Justiça Eleitoral.

O conjunto de elementos descritos ilustra um pleito estadual a qual se alinha com a complexidade das disputas nacionais, mas com tratamento dedicado às particularidades locais. Dr. Furlan, ao enfatizar a governabilidade com visão municipalista, busca manter o foco no Amapá, enquanto prevê manter distância estratégica de uma campanha presidencial que, no cenário nacional, permanece altamente polarizada. A continuidade das alianças regionais, bem como a viabilidade de acordos com atores nacionais conforme o contexto estadual, permanecem entre as perguntas centrais do período pré-eleitoral.

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