Belo Horizonte foi classificada como área de médio risco para a ocorrência de arboviroses em 2026, após o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) apontar a presença de larvas do mosquito em 2,4% dos 53 mil imóveis vistoriados na capital. No mesmo ano, a cidade confirmou mais de 1,8 mil casos de dengue e registrou quatro mortes relacionadas a complicações provocadas pela doença.
O resultado indica uma piora em comparação com o levantamento realizado no mesmo período de 2025, quando Belo Horizonte estava na faixa considerada de baixo risco. Atualmente, ainda existem 793 notificações suspeitas de dengue aguardando a conclusão de exames laboratoriais.
A elevação do índice ocorre em um período de atenção para a saúde pública, com temperaturas altas e previsão de chuvas mais intensas. A combinação de calor e água acumulada favorece a formação de criadouros e amplia as condições para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.
Percentual de imóveis define classificação do município
A classificação utilizada pelo LIRAa segue os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Municípios com índice inferior a 1% são considerados de baixo risco. Percentuais entre 1% e 3,9% correspondem à faixa de médio risco, enquanto resultados iguais ou superiores a 4% colocam a cidade na categoria de alto risco para doenças transmitidas pelo mosquito.
Além do índice geral de 2,4%, o levantamento mostrou que 83% dos focos identificados estão dentro de residências. Para a Prefeitura de Belo Horizonte, o dado demonstra que a atuação dos moradores é essencial para interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti. A eliminação de recipientes, objetos e outros locais que possam acumular água é apontada como uma das principais medidas de prevenção.
O levantamento é realizado anualmente nas nove regionais de Belo Horizonte. A partir dos dados coletados, a Secretaria Municipal de Saúde consegue identificar as áreas com maior concentração de larvas e planejar a intensificação das ações de vigilância e controle nesses locais.
Segundo a subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond, o resultado orienta a distribuição das medidas preventivas, mas não substitui a participação da população. “Os resultados do LIRAa nos ajudam a direcionar as ações de prevenção para as áreas que mais precisam de atenção. Mas o combate ao Aedes aegypti também depende da colaboração da população e precisa ser frequente. Dedicar dez minutos por semana para eliminar possíveis criadouros é uma atitude simples que faz toda a diferença”, afirmou.
Município mantém estratégias de prevenção ao longo do ano
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que as ações de enfrentamento às arboviroses são realizadas continuamente, e não apenas durante os períodos de maior incidência. Agentes de Combate a Endemias fazem visitas aos imóveis, orientam os moradores, verificam possíveis pontos de acúmulo de água e aplicam biolarvicidas quando necessário. Em 2026, já foram realizadas mais de 3,4 milhões de vistorias.
O município também utiliza inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV), conhecido popularmente como fumacê, para combater os mosquitos adultos. A aplicação alcançou cerca de 9 mil imóveis neste ano. Drones são empregados para produzir imagens e auxiliar na localização de possíveis criadouros, enquanto larvicidas são usados em áreas de difícil acesso para as equipes de prevenção.
Outra ferramenta de monitoramento é formada pelas mais de 1,8 mil ovitrampas instaladas em pontos estratégicos das regionais. Essas armadilhas simulam um ambiente favorável à reprodução do Aedes aegypti e contêm substâncias que atraem as fêmeas. O acompanhamento permite verificar a circulação do mosquito em diferentes áreas da cidade. Ao longo de 2026, foram feitas aproximadamente 63 mil visitas para monitorar os equipamentos.
A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) participa do trabalho com mutirões voltados à retirada de materiais capazes de acumular água. Neste ano, foram promovidas 239 ações, que recolheram cerca de 374 toneladas de resíduos em aproximadamente 49 mil imóveis.
Também está em andamento a soltura de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia. Esses insetos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, zika e chikungunya. A técnica não utiliza modificação genética. Desde 2020, mais de 45 milhões de mosquitos com Wolbachia foram liberados em Belo Horizonte.


