A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que o feminicídio de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, ocorrido na cidade de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi praticado por mais de uma pessoa, incluindo uma mulher. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (22), após a prisão do ex-namorado da vítima, de 18 anos, e de sua atual companheira, de 23 anos, suspeitos de envolvimento no crime, além de crimes relacionados à ocultação e destruição do cadáver.
Segundo o delegado Júlio Wilke, responsável pela investigação, o caso é marcado por um aspecto incomum: a participação de uma mulher na autoria do feminicídio. Wilke destacou que a prisão dos suspeitos ocorreu na residência da mulher, e ambos foram encaminhados à Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte, onde tiveram a prisão em flagrante formalizada. A localização do corpo de Beatriz Vitória, enterrado em uma área rural, ocorreu um dia antes, após diligências que envolveram análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos.
As investigações revelaram que o ex-namorado dirigia um Volkswagen Up branco, visto nas proximidades do bar onde Beatriz foi vista pela última vez, em 9 de outubro. Uma adolescente de 15 anos, que também estava no veículo, colaborou com a polícia e indicou a região onde o corpo da vítima foi enterrado. A participação da adolescente ainda está sendo apurada, e as circunstâncias exatas de sua relação com o crime permanecem sob investigação.
Em depoimento, o jovem de 18 anos admitiu que dirigia o carro na ocasião, que buscou Beatriz nas proximidades do bar, mas negou ter participado do homicídio. Ele atribuiu a responsabilidade pelo planejamento e execução do crime à adolescente, além de tentar isentar a atual companheira, que permaneceu em silêncio durante o interrogatório. O delegado Alexandre Fonseca afirmou que as evidências coletadas indicam a participação de todos os envolvidos na cena do crime.
A Polícia Civil também apreendeu celulares dos suspeitos, que serão submetidos a perícia para esclarecer a dinâmica do feminicídio e determinar a responsabilidade de cada um. Beatriz foi encontrada com as mãos e pés amarrados, e os laudos periciais aguardados deverão apontar a causa da morte e possíveis sinais de violência adicional.
A defesa do ex-namorado, representada pelo advogado Dracon Cavalcante, afirmou que o cliente nega qualquer participação na morte de Beatriz. Já a advogada Tatiany Barbosa, que representa a atual companheira, declarou que ela se declarou inocente e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
O caso ganha destaque pelo fato de envolver a participação de uma mulher na prática do feminicídio, um aspecto que reforça a complexidade do crime e a necessidade de investigação aprofundada. A Polícia Civil continua as diligências para esclarecer todas as circunstâncias do homicídio e os crimes relacionados à ocultação do cadáver.


