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MDIC aponta que 16,5% das exportações brasileiras enfrentam tarifas de 37,5% nos EUA; mapeamento revela setores expostos e caminhos de resposta

MDIC aponta que 16,5% das exportações brasileiras enfrentam tarifas de 37,5% nos EUA; mapeamento revela setores expostos e caminhos de resposta

O Ministério da Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta sexta-feira (24/7) que as tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos devem atingir 16,5% das exportações brasileiras, o que corresponde a US$ 6,6 bilhões — aproximadamente R$ 33,6 bilhões —, conforme o mapeamento divulgado pela pasta. O estudo busca identificar com exatidão quais itens da pauta externa brasileira estão expostos às sobretaxas e orientar eventuais respostas do governo.

De acordo com o MDIC, mais da metade das exportações brasileiras permanece livre de tarifas. Exatamente 52,7% das remessas não enfrentam tributos na fronteira, incluindo itens como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, uma variedade de produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose. Esse panorama demonstra uma divisão clara entre setores protegidos por acordos ou por estruturas de tarifação específicas e aqueles que estão sujeitos a tarifas adicionais quando negociam com o mercado norte-americano.

Além disso, o ministério informou que 4,7% das exportações estão sujeitas a uma tarifa de 12,5%, anunciada na quinta-feira anterior (23/7). Essa medida está associada a alegações de práticas de trabalho escravo no Brasil, levando o governo a enfrentar o tema em nível comercial como parte de disputas de conformidade trabalhista e direitos humanos.

Outro segmento, equivalente a 1,9% das exportações, encontra-se sob uma tarifa de 25% anunciada em 15 de julho. Tal sobretaxa teve origem em uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre possíveis práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Assim, combinadas as tarifas de 12,5% e 25%, 16,5% das exportações ficam sujeitas a duas cobranças distintas em momentos diferentes do processo de tarifação, configurando dupla tributação para uma parcela da pauta brasileira.

O estudo também aponta que 24,2% das exportações encontram-se sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países com base na Seção 232 da Lei de Comércio dos EUA. Esse conjunto de tarifas, cuja lógica é protegê-las de impactos de segurança nacional, amplia o peso sobre determinados setores, especialmente os industriais, independentemente do relacionamento comercial bilateral.

Distribuição das tarifas e impactos setoriais

Os números indicam que o impacto da política tarifária norte-americana está concentrado em parte da pauta exportadora brasileira, com uma incidência mais acentuada sobre bens industriais. O MDIC ressalta que o mapeamento tem como objetivo dimensionar com precisão quais produtos estão expostos às tarifas e, a partir disso, orientar respostas estratégicas do governo brasileiro, incluindo negociações com Washington e a busca por maior diversificação de mercados para reduzir a dependência de um único destino.

Contexto recente do comércio com os EUA

A ampliação das tarifas ocorre em um momento de enfraquecimento do ritmo do comércio entre Brasil e Estados Unidos. O país chegou a registrar um recorde de exportações para o mercado americano em 2024, de US$ 40,4 bilhões, mas esse patamar caiu para US$ 37,7 bilhões em 2025 e permanece em trajetória de retração ao longo de 2026. No primeiro semestre deste ano, as vendas ao mercado norte-americano totalizaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% frente ao mesmo período de 2025.

A queda tem como fatores relevantes a redução de embarques de petróleo bruto, que recuaram 30,4%, e de produtos de ferro e aço em formas primárias, com queda de 21,7%. Em consequência, o Brasil perdeu espaço como destino das exportações brasileiras para os EUA, passando de 12,1% (primeiros semestres de 2025) para 9,4% (primeiros semestres de 2026). Já havia havido uma queda anterior na participação, de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025. Paralelamente, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram durante o mesmo período, contribuindo para uma diminuição de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

Em síntese, o MDIC contextualiza o atual cenário como resultado de um conjunto de sobretaxas que afetam parte relevante da pauta exportadora brasileira, com consequências diretas para a composição do comércio com os Estados Unidos. O governo, conforme o levantamento, considera que as respostas poderão incluir ações de negociação comercial com os EUA, bem como a ampliação de mercados para reduzir a dependência de uma única rota de exportação. O objetivo central é dimensionar os impactos, mitigar efeitos negativos e buscar alternativas que promovam maior estabilidade e diluição de riscos para setores expostos.

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