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Copom interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano diante de cenário mais incerto

Copom interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano diante de cenário mais incerto

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4/11) e encerra a sequência de reduções iniciada em março. Com isso, o indicador permanece no mesmo patamar definido na reunião anterior do colegiado, realizada em 16 de setembro deste ano.

A escolha pela estabilidade ocorreu em meio à avaliação de que as condições econômicas se tornaram mais desfavoráveis desde o último encontro. Em comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que houve piora tanto no ambiente interno quanto no cenário internacional. Diante desse quadro, os diretores indicaram uma condução mais prudente da política monetária, sem antecipar qual será o próximo movimento dos juros.

Pressões externas aumentam as incertezas

Entre os elementos considerados pelo comitê está a continuidade da guerra no Oriente Médio. Segundo a análise apresentada no comunicado, a permanência do conflito contribuiu para uma nova elevação das cotações do petróleo, fator capaz de ampliar as pressões sobre os preços.

O Copom também observou que as economias avançadas passaram a adotar políticas monetárias mais restritivas. Esse movimento tende a elevar a complexidade do cenário para países emergentes, como o Brasil, e aumenta a instabilidade nos mercados financeiros internacionais.

Na avaliação dos diretores, a combinação desses fatores exige atenção especial à volatilidade dos preços de ativos financeiros e das commodities. O comitê destacou que, nesse ambiente, países emergentes precisam agir com cautela para lidar com mudanças mais intensas nas condições externas.

Atividade perde ritmo, mas emprego continua firme

No cenário doméstico, o Copom identificou sinais de moderação da atividade econômica. A economia brasileira apresentou perda de velocidade, mas o mercado de trabalho foi classificado como “resiliente” pelo colegiado. A avaliação indica que a desaceleração ocorre enquanto as condições de emprego ainda permanecem firmes.

Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação se deterioraram. De acordo com os dados da pesquisa Focus mencionados no comunicado, as projeções para 2026 e 2027 se distanciaram ainda mais da meta de inflação desde a reunião de setembro. O mercado passou a projetar alta de 5,2% nos preços em 2026 e de 4,8% em 2027.

A política fiscal também continuou no radar do Banco Central. Para os diretores, as incertezas relacionadas a esse tema reforçam a necessidade de uma postura cautelosa na condução dos juros. O documento, no entanto, não apresentou uma indicação clara sobre a decisão que será tomada na próxima reunião, prevista para dezembro deste ano.

Assim, o comunicado não sinalizou se a Selic será novamente mantida, se o ciclo de cortes poderá ser retomado ou se haverá uma eventual elevação da taxa. O Copom descreveu o momento como desafiador, citando a permanência de uma Selic “substancialmente contracionista”, o aumento das incertezas em torno do cenário-base, a piora das expectativas de inflação e uma desaceleração mais intensa da atividade econômica doméstica.

A taxa Selic é definida pelo Copom, que pode optar por reduzi-la, mantê-la ou elevá-la. A decisão faz parte da atuação do Banco Central para controlar a trajetória dos preços de bens e serviços no país. Embora a inflação ainda esteja avançando, o contexto apresentado pelo comitê aponta que esse crescimento ocorre em ritmo menos intenso.

Antes do início do ciclo de cortes, em março, a Selic havia permanecido em 15% ao ano durante cinco reuniões consecutivas. A manutenção em 13,75% já era amplamente aguardada pelo mercado financeiro, que havia precificado majoritariamente essa possibilidade para o encontro desta quarta-feira.

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