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Linha de crédito Move Motos registra menos de 20 mil operações desde seu lançamento

Linha de crédito Move Motos registra menos de 20 mil operações desde seu lançamento

A linha de crédito criada pelo governo para facilitar o financiamento de motocicletas por motoristas de aplicativos, conhecida como Move Motos, apresentou uma adesão significativamente inferior às expectativas iniciais. Segundo dados do Fundo de Garantia de Operações (FGO), até o momento, aproximadamente 17 mil operações de financiamento foram realizadas, um volume considerado baixo diante do potencial de demanda e do tamanho do segmento de trabalhadores autônomos que utilizam motocicletas para atividades profissionais.

O programa, lançado há poucos meses, disponibilizou um total de R$ 386,4 milhões em crédito, mesmo após a ampliação das condições de financiamento e sua inclusão em um conjunto mais amplo de medidas de estímulo econômico durante o ano eleitoral. A iniciativa integra o programa Move Brasil, que visa oferecer linhas de crédito específicas para motoristas de aplicativos, taxistas, entregadores e outros trabalhadores autônomos, com recursos operados por bancos públicos e privados, além de garantias do FGO.

A expectativa inicial era de que o Move Motos proporcionasse maior acesso ao crédito, especialmente para trabalhadores com histórico financeiro limitado, com foco na renovação de frota e na formalização de renda. No entanto, apesar do volume de recursos disponíveis, a adesão ao programa tem sido mais lenta do que o previsto. Dados indicam que, no segmento de motocicletas, o número de operações contratadas ficou aquém do potencial estimado pelo governo, o que demonstra dificuldades na implementação e na atração de beneficiários.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) destacou que a medida é recente e que o processo de maturação do programa demanda tempo. Em nota, o órgão afirmou que o Move Motos envolve diversos agentes, como montadoras, concessionárias, bancos, plataformas digitais de transporte e os próprios beneficiários, o que exige um período de adaptação e entendimento do funcionamento do crédito. Segundo o ministério, políticas públicas inovadoras, como essa, geralmente levam alguns meses para alcançar o pleno funcionamento.

Especificamente para os entregadores, o programa oferece condições diferenciadas, com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado, prazos mais longos e possibilidade de carência. Ainda assim, obstáculos como requisitos de comprovação de renda, dificuldades na integração entre plataformas digitais e instituições financeiras, além de critérios de crédito mais rígidos, têm dificultado a ampliação do número de beneficiados. Problemas operacionais também contribuíram para a implementação aquém do esperado.

Apesar do desempenho abaixo do esperado na linha de motos, outras frentes do Move Brasil, especialmente no segmento de automóveis, registraram maior volume de contratações. A política de financiamento a motocicletas é considerada estratégica para os entregadores, que atuam em um setor caracterizado por alta informalidade e restrições de crédito. A aquisição de veículos é vista como uma forma de aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais, contribuindo para a formalização e a melhora na renda desses trabalhadores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, recentemente, uma lei que torna o Move Brasil uma política permanente, buscando garantir maior previsibilidade ao programa e ampliar sua escala ao longo do tempo. Antes, o programa funcionava por meio de Medida Provisória (MP). A medida visa também estimular a cadeia automotiva e facilitar o acesso a veículos por parte de profissionais do setor de mobilidade, movimentando a economia e incentivando a produção nacional.

O ritmo de execução do programa ainda é considerado o principal desafio, embora membros da equipe econômica sinalizem que a tendência é de aceleração nos próximos meses. A expectativa é que parcerias com plataformas digitais e ajustes operacionais possam reduzir a burocracia, ampliando o alcance do Move Motos. Para isso, o programa permite o financiamento de motocicletas, motonetas e ciclomotores novos, produzidos no Brasil e que atendam a critérios técnicos específicos, como motorização de até 160 cilindradas no caso das versões a combustão, que devem ser flex.

A lista de veículos elegíveis inclui modelos de entrada e intermediários, como CG 160, Biz 125 e Factor 150, além de versões voltadas ao uso profissional, como modelos de carga. O programa também contempla motocicletas e ciclomotores elétricos, desde que sejam novos, produzidos nacionalmente ou vinculados a projetos industriais aprovados no país, com o objetivo de incentivar veículos de menor custo operacional e impacto ambiental.

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