O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira, 6 de outubro, que a utilização de subsídios não é a estratégia mais eficiente para proteger populações vulneráveis dos efeitos da inflação decorrente de choques de oferta. Em seu relatório, o órgão internacional destacou que transferências de renda direcionadas e temporárias representam a abordagem mais eficaz, além de ser mais econômica, para amparar as famílias de baixa renda diante do aumento dos preços de itens essenciais.
Segundo o FMI, a prioridade deve ser a implementação de transferências específicas que atendam às questões que elevam os custos de vida dessas populações, como energia elétrica, alimentos e combustíveis. A análise do fundo considera o contexto de choques de oferta, fenômenos que provocam desequilíbrios significativos entre oferta e demanda, com impacto imediato e duradouro na economia. Entre os exemplos recentes desses choques estão as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além dos efeitos prolongados da pandemia de Covid-19.
O relatório, intitulado “Navegando em um Mundo Propenso a Choques: Lições das Crises de Custo de Vida”, faz parte do capítulo 2 do documento Perspectivas da Economia Mundial, cuja versão integral será divulgada na próxima terça-feira, 13 de outubro. A publicação destaca que as estratégias adotadas por diferentes países para lidar com a inflação variam conforme suas condições econômicas e políticas, mas reforça a eficiência das transferências temporárias em contraposição aos subsídios generalizados.
No Brasil, um dos efeitos mais relevantes da crise no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, tem sido a alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pelo aumento do petróleo no mercado internacional. O governo brasileiro afirma que já destinou aproximadamente R$ 40 bilhões em subsídios para tentar conter os preços dos combustíveis, uma medida que, embora tenha contribuído para atenuar os efeitos da alta do petróleo, não conseguiu impedir a continuidade do aumento dos valores praticados nas bombas.
O FMI reforça que, para proteger as famílias de menor renda de forma mais eficiente e com menor gasto fiscal, os governos deveriam concentrar suas ações em transferências de renda específicas, voltadas às populações mais afetadas pelos aumentos de preços de itens essenciais. Segundo a entidade, oferecer o mesmo nível de proteção por meio de subsídios ao consumo pode demandar de três a seis vezes mais recursos fiscais do que as transferências direcionadas, o que torna essa abordagem menos sustentável a longo prazo.
Apesar das medidas de subsídio adotadas pelo Brasil, a inflação oficial do país permanece acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3%. Nos últimos 12 meses até agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,22%, indicando que os esforços de contenção ainda não foram suficientes para estabilizar os preços de forma definitiva. Essa situação reforça a necessidade de estratégias mais eficientes, como as recomendadas pelo FMI, para lidar com os efeitos de choques de oferta na economia brasileira.


