A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, concedeu aprovação a um novo tratamento destinado ao combate à atrofia muscular espinhal (AME), uma doença genética rara que causa fraqueza progressiva e perda de massa muscular. O medicamento, denominado Isembyld, possui como princípio ativo o apitegromab-mstn e foi autorizado para uso em adultos e crianças a partir de dois anos de idade que já estejam recebendo terapia direcionada ao gene SMN2, responsável pela produção de uma proteína essencial à sobrevivência dos neurônios motores.
A AME é causada por alterações genéticas que comprometem a produção de uma proteína vital à manutenção dos neurônios responsáveis pelos movimentos. Como consequência, os músculos enfraquecem progressivamente, prejudicando atividades cotidianas como sentar, caminhar e até mesmo respirar. Os tratamentos atualmente disponíveis atuam na origem genética da doença, estimulando a produção da proteína necessária para preservar os neurônios. Em contrapartida, o apitegromab funciona de maneira diferente, atuando diretamente nos músculos ao bloquear a ativação da miostatina, uma proteína que naturalmente limita o crescimento muscular. Essa estratégia visa aumentar a capacidade muscular e melhorar os movimentos dos pacientes, funcionando como um complemento às terapias já existentes.
A aprovação do medicamento foi fundamentada em um estudo clínico de fase 2, que envolveu 188 pacientes com idades entre 2 e 21 anos, todos com dificuldades de mobilidade e já em tratamento com terapia direcionada ao gene SMN2. Durante um período de 52 semanas, os participantes receberam infusões intravenosas de apitegromab ou placebo a cada quatro semanas. A análise principal concentrou-se em 156 crianças de 2 a 12 anos, das quais 34,2% que receberam a dose de 10 mg/kg apresentaram melhora clínica significativa na função motora, em comparação com 13,5% do grupo que recebeu placebo. Entre os efeitos adversos mais comuns, destacaram-se infecções respiratórias superiores, vômitos, tosse, dores de cabeça, gastroenterite e faringite. A FDA também alertou para o risco de fraturas e recomendou precauções em gestantes, devido ao potencial de danos ao feto.
Além do uso na AME, o apitegromab vem sendo estudado para uma outra aplicação relacionada ao emagrecimento. Pesquisadores investigam se o medicamento pode ajudar a preservar a massa magra, especialmente os músculos, durante processos de perda de peso induzidos por medicamentos como a tirzepatida, princípio ativo do remédio Mounjaro. Um estudo de fase 2, denominado EMBRAZE, acompanhou 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, em sete centros nos Estados Unidos. Todos receberam tirzepatida, sendo que metade também foi submetida ao apitegromab, enquanto a outra metade recebeu placebo. Após 24 semanas, os resultados indicaram que, embora a perda total de peso fosse semelhante nos dois grupos, os participantes que receberam o medicamento preservaram, em média, 1,9 kg de massa magra a mais do que os demais, representando uma preservação relativa de aproximadamente 55% dessa massa muscular. Contudo, os efeitos adversos foram observados em 76% dos indivíduos que receberam o medicamento e 71% dos que receberam placebo, indicando um perfil de segurança ainda em avaliação.
Apesar dos resultados promissores, o estudo envolvendo o uso do apitegromab para preservação muscular durante o emagrecimento possui limitações, como o número reduzido de participantes e o período de acompanhamento de apenas 24 semanas. Além disso, o estudo foi financiado pela Scholar Rock, fabricante do medicamento, que participou ativamente do desenvolvimento e análise dos dados. A aprovação da FDA, por ora, restringe-se ao tratamento da AME sob as condições estabelecidas pela agência. A utilização do apitegromab para fins de preservação de massa muscular durante processos de emagrecimento com tirzepatida ainda está em fase de investigação e não possui autorização para uso clínico nos Estados Unidos.


