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Exportação de carne bovina para a China sofre queda de 93,5% após Brasil atingir cota máxima

Exportação de carne bovina para a China sofre queda de 93,5% após Brasil atingir cota máxima

As exportações brasileiras de carne bovina para a China registraram uma redução de 93,5% em setembro deste ano, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira, 6 de outubro. O declínio expressivo ocorre após o Brasil atingir o limite de sua cota de exportação ao país asiático, o que levou à implementação de medidas de salvaguarda por parte da China, incluindo uma taxação de 55% sobre os produtos que entram no território chinês após a cota ser preenchida.

Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a queda nas exportações pode ser atribuída à política de salvaguarda chinesa, que visa restringir a entrada de produtos após o limite estabelecido. Desde agosto, o governo brasileiro já vinha monitorando uma desaceleração nas vendas de carne bovina à China, motivada pelo receio dos exportadores de embarcar seus produtos diante do aumento de tarifas. A medida, que entrou em vigor após o preenchimento da cota brasileira, impactou significativamente o volume de exportações ao país asiático, levando a uma retração expressiva em setembro.

Apesar do impacto na China, as exportações brasileiras de carne para os Estados Unidos apresentaram crescimento expressivo de 524,3% no mesmo período. Herlon Brandão destacou que, embora esse aumento seja relevante, ainda é prematuro afirmar que haverá um redirecionamento de todo o setor de carne bovina para outros mercados de forma definitiva. Segundo ele, o comportamento de setembro pode ser interpretado como uma resposta pontual à demanda de mercado, sem indicar uma mudança estrutural de longo prazo.

No cenário geral da balança comercial brasileira, os dados de setembro apontam para um superávit de US$ 7,7 bilhões, o que representa um aumento de 146,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 3,1 bilhões. As importações, por sua vez, sofreram uma redução de 2,4%, totalizando US$ 26,7 bilhões em setembro de 2026, frente aos US$ 27,3 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

As exportações brasileiras, por sua vez, cresceram 12,9% na comparação anual, atingindo US$ 34,4 bilhões em setembro de 2026, contra US$ 30,5 bilhões em igual período de 2025. A soma das operações de importação e exportação, denominada corrente de comércio, atingiu US$ 61,1 bilhões no mês, representando um aumento de 5,6% frente a setembro de 2025, quando totalizou US$ 57,8 bilhões.

Em decorrência dessas variações, o MDIC revisou a previsão de superávit para a balança comercial de 2026, passando de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A mudança reflete, principalmente, o impacto das restrições às exportações de carne bovina para a China, além de outros fatores que influenciam o comércio exterior brasileiro neste período.

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