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Dólar mantém estabilidade diante de queda do petróleo e alta de juros nos EUA

Dólar mantém estabilidade diante de queda do petróleo e alta de juros nos EUA

Nesta quarta-feira, o dólar à vista apresentou uma ligeira retração de 0,06%, fechando cotado a R$ 5,15, o que resultou em uma estabilidade geral da moeda americana frente ao real. Apesar de a variação ser mínima, o mercado manteve-se relativamente calmo diante de fatores internos e externos que influenciam o câmbio. O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o dia em queda de 0,51%, aos 185.5 mil pontos, refletindo uma postura de cautela dos investidores no cenário nacional.

A reação dos mercados de câmbio e de ações foi moderada após a decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, de elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando a um intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano. Essa foi a primeira alta na política monetária americana desde julho de 2023. A expectativa do mercado era de que o aumento ocorresse, com a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicando uma probabilidade de 92,7% de alta na taxa no início da tarde de quarta-feira, antes do anúncio oficial feito às 15 horas.

Apesar do consenso, o impacto imediato no exterior foi de fortalecimento do dólar. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — incluindo euro, iene e libra esterlina —, avançou 0,67%, atingindo 100,31 pontos às 17h15. Além disso, os títulos da dívida americana (Treasuries) refletiram essa movimentação, com o rendimento dos papéis de 2 anos subindo de 4,671% para 4,742%, enquanto os de 10 anos passaram de 5,006% para 5,020%. Já os títulos de 30 anos, conhecidos como T-Bond, apresentaram recuo de 5,369% para 5,357%.

Outro elemento que influenciou o mercado nesta quarta-feira foi a queda nos preços internacionais do petróleo. Os contratos de Brent, referência global, fecharam em baixa de 2,69%, cotados a US$ 105,83 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), que serve de padrão para os Estados Unidos, recuou 3,21%, fechando a US$ 102,43 por barril. Essa queda ocorreu após o Departamento de Energia dos Estados Unidos informar que a redução nos estoques de petróleo do país na semana passada foi menor do que o esperado, com uma diminuição de apenas 640 mil barris, frente à estimativa de 1,6 milhão de barris pelos analistas.

Na mesma linha, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, anunciou na terça-feira que o oleoduto Leste-Oeste, operado pela Arábia Saudita, deve retomar suas atividades em poucos dias, após ataques de drones na semana anterior. Essa infraestrutura é uma alternativa ao Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto da produção mundial de petróleo, atualmente praticamente fechado devido aos confrontos no Oriente Médio. A retomada do oleoduto é vista como um fator que pode aliviar tensões na oferta de petróleo global.

No cenário interno, João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, destacou que a queda do Ibovespa foi puxada principalmente pelas ações da Petrobras, que recuaram 4,27%, acompanhando a baixa nos preços do petróleo, e pela Vale, que caiu 2,14%, apesar da alta no preço do minério de ferro. Ambos os papéis possuem grande peso no índice, contribuindo para o resultado negativo do dia. Assim, o mercado brasileiro permanece atento às variáveis externas, especialmente às políticas monetárias internacionais e às oscilações no mercado de commodities.

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