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Crescimento de candidatos de direita aumenta preocupação no entorno de Lula para eventual segundo turno

Crescimento de candidatos de direita aumenta preocupação no entorno de Lula para eventual segundo turno

O avanço nas pesquisas do candidato Augusto Cury (Avante) tem provocado apreensão no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente pelo potencial de transferência de votos que pode influenciar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Com Cury se consolidando como uma das principais forças da terceira via, declarações recentes do próprio candidato indicam uma possível aliança com Flávio Bolsonaro (PL), o que intensifica as preocupações do grupo petista.

Augusto Cury afirmou que poderá apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, condicionando essa decisão à comprovação de que o senador não esteve envolvido no suposto desvio de recursos relacionados à produção do filme Dark Horse, além de exigir um compromisso com o seu plano de governo. Ao mesmo tempo, Cury declarou que não apoiaria Lula, o que reforça a polarização entre os principais candidatos na disputa presidencial.

O cenário eleitoral atual evidencia a importância dos votos dos candidatos que não avançam para a fase final, uma vez que esses votos podem ser decisivos na definição do resultado. Lula lidera o primeiro turno, mas sua vantagem diminui nas simulações de segundo turno, onde Flávio Bolsonaro aparece empatado ou à frente em alguns levantamentos.

Segundo pesquisas divulgadas pela AtlasIntel/Bloomberg na quinta-feira (10/9), Lula possui 43% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 37,4%. No cenário de segundo turno, porém, a vantagem de Lula se reduz a uma diferença de apenas 0,2 pontos percentuais, com 46,2% contra 46,4% do senador. Já na pesquisa do BTG/Nexus, Lula registra 39% no primeiro turno, contra 35% de Flávio, com Augusto Cury e outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), apresentando percentuais menores, mas relevantes na composição do eleitorado.

Pedro Müller, consultor na Seta Public Affairs, destaca que o crescimento de Cury transformou o candidato em uma “reserva de votos” cobiçada pelos principais concorrentes. Segundo ele, a maior parte dessa reserva tende a favorecer Flávio Bolsonaro, dado o alinhamento ideológico mais próximo da direita. Ainda assim, Müller ressalta que o apoio de Cury não garante uma transferência automática de votos, já que a fidelidade do eleitorado de terceira via costuma ser variável e imprevisível.

Além de Augusto Cury, outros candidatos de perfil mais à direita, como Caiado, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos, também representam uma parcela do eleitorado que pode migrar para Flávio Bolsonaro no segundo turno. Pesquisas do BTG/Nexus indicam que Lula vence Caiado por 46% a 43%, Zema por 47% a 40% e Renan Santos por 47% a 39%. Contudo, contra Flávio, Lula aparece ligeiramente atrás, com 45% contra 43%.

Müller lembra que a eleição de 2022 revelou que Lula não pode contar com votos de adversários derrotados de forma automática. Naquele pleito, candidatos como Simone Tebet (PSB) e Ciro Gomes (PDT) somaram 7,2% no primeiro turno, e, apesar do apoio de Tebet a Lula, Bolsonaro conseguiu ampliar sua base de votos entre os eleitores que migraram de outros candidatos ao longo do segundo turno, culminando com 49,1% contra 50,9% do petista.

A rejeição aos principais candidatos também influencia o cenário. Segundo levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, Lula é rejeitado por 52,5% dos eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro tem uma rejeição de 49,6%. Müller avalia que, na situação atual, a preferência de voto tende a se dividir entre quem rejeita o adversário, levando o resultado para uma disputa apertada, similar à de 2022.

O comportamento do eleitor, no entanto, não segue uma lógica estritamente ideológica. Müller exemplifica que eleitores de Minas Gerais, por exemplo, votaram em Lula para presidente e em Zema para governador, demonstrando uma lógica de voto mais pragmática do que partidária. Além disso, características específicas do eleitorado de Cury, como maior presença feminina, podem favorecer Lula em determinados segmentos, embora a falta de fidelização possa levar parte desse grupo a optar por votos brancos ou nulos.

O principal desafio de Lula é converter sua liderança no primeiro turno em uma maioria consistente no segundo, o que exige conquistar mais de 5 pontos percentuais além de seus atuais 45% para atingir a margem de 50% dos votos válidos. Parte dessa reserva eleitoral está fora de sua base tradicional, e a transferência de votos de candidatos como Cury, Caiado, Zema ou Renan Santos tende a favorecer Flávio Bolsonaro, mesmo que essa migração não seja automática.

Outro obstáculo relevante é a abstenção, que, segundo Müller, tende a ser maior entre eleitores de menor renda e em regiões onde a disputa estadual já esteja definida, o que pode prejudicar o desempenho de Lula na fase final da eleição. Apesar de possuir uma máquina política robusta, semelhante à que Bolsonaro dispunha em 2022, o petista enfrenta um cenário de crescimento de Flávio nas simulações de segundo turno e uma terceira via mais inclinada à direita.

Para Müller, a campanha de Lula precisará focar na mobilização de sua base, na atração de eleitores menos ideológicos e na exploração de eventuais erros de Flávio Bolsonaro. A estratégia de motivar o eleitorado fiel e captar votos de indecisos ou de eleitores de candidatos de direita será fundamental para que o petista consiga superar a vantagem do adversário na fase final da disputa, especialmente em um cenário de empate técnico nas pesquisas de segundo turno.

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