Um estudo realizado com mais de 371 mil adultos nos Estados Unidos revelou que o consumo regular de frutas in natura está relacionado a melhorias nos indicadores de saúde do coração. A pesquisa, publicada em setembro na revista científica Current Developments in Nutrition, analisou os hábitos alimentares e as condições de saúde dos participantes, reforçando recomendações recentes que incentivam o consumo de frutas sem processamento.
De acordo com os dados, indivíduos que consumiam maior quantidade de frutas inteiras apresentaram menor incidência de problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, colesterol elevado, doença arterial coronariana e infarto do miocárdio. Em contrapartida, o consumo de suco de fruta 100% natural não apresentou uma associação consistente com a redução desses riscos. As análises indicaram que, enquanto o consumo de frutas inteiras estava ligado a melhorias significativas na saúde cardiovascular, o mesmo não foi observado de forma uniforme com o ingestão de suco.
Segundo os autores do estudo, essa diferença pode estar relacionada à composição nutricional dos alimentos. Uma das hipóteses levantadas é a presença de fibras na fruta in natura, que desempenham papel importante na desaceleração da absorção de açúcar pelo organismo. Quando a fruta é consumida na sua forma natural, mantém-se a maior parte dessas fibras, que ajudam a regular os níveis glicêmicos e contribuem para a saúde do coração. Já no caso do suco, muitas dessas fibras são perdidas durante o processamento, o que pode diminuir seus benefícios.
Outra variável considerada pelos pesquisadores refere-se aos compostos vegetais, como os polifenóis, que também podem variar entre a fruta inteira e o suco. Esses antioxidantes são associados à proteção cardiovascular, mas o estudo não mediu diretamente esses elementos, deixando as explicações sobre seu papel ainda em fase de confirmação. Os dados indicam que, em média, os participantes consumiam fruta inteira um pouco mais de uma vez ao dia, enquanto o consumo de suco ocorria aproximadamente a cada três dias.
Após ajustar os resultados por fatores como idade, renda, nível de escolaridade e tabagismo, a relação entre o consumo de frutas inteiras e os melhores indicadores de saúde cardiovascular permaneceu estatisticamente significativa. Ainda que o estudo não possa estabelecer uma relação de causa e efeito, os autores ressaltam que os resultados reforçam a orientação de priorizar o consumo de frutas não processadas na rotina alimentar.
A pesquisa evidencia a necessidade de estudos longitudinais que acompanhem os participantes ao longo do tempo, de modo a compreender com maior precisão como o consumo de diferentes formas de frutas influencia o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Enquanto isso, as recomendações atuais das autoridades de saúde permanecem as mesmas: dar preferência ao consumo de frutas in natura como estratégia para promover a saúde do coração.


