A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um canal digital destinado a receber denúncias de apoiadores que alegam ter sofrido censura ou restrições em suas publicações nas redes sociais. A iniciativa visa coletar relatos de remoção de conteúdo, bloqueios de contas e limitações de alcance, especialmente em plataformas controladas pela Meta, proprietária do Instagram e do Facebook. O site permite que os usuários descrevam os episódios e forneçam detalhes sobre as supostas ações de censura, com a intenção de reunir informações que possam indicar irregularidades. Essas denúncias serão posteriormente encaminhadas à Justiça Eleitoral, com o objetivo de buscar providências cabíveis para garantir transparência e equidade no ambiente digital durante o período eleitoral.
Na manhã deste sábado, 10 de outubro, a campanha petista anunciou que decidiu formalizar uma denúncia junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta. A legenda acusa a empresa de possível interferência no processo eleitoral brasileiro, levantando suspeitas de que falhas técnicas recorrentes possam ter favorecido a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Entre os episódios citados pela campanha estão a retirada do perfil do presidente Lula do mecanismo de buscas do Instagram em dezembro de 2022, a indisponibilidade da conta de anúncios do mandatário durante o primeiro turno das eleições deste ano, além de uma redução no número de visualizações e curtidas em vídeos do presidente, registrada em 8 de outubro, e a impossibilidade de impulsionar publicações no Instagram, ocorrida em 9 de outubro.
Segundo a campanha, a Meta atribuiu esses episódios a “problemas técnicos”. No entanto, os apoiadores do PT argumentam que a repetição frequente dessas falhas, aliada à ausência de explicações detalhadas por parte da plataforma, levanta suspeitas de que a empresa possa estar atuando de forma a influenciar o resultado do pleito. A legenda afirma que a falta de transparência nos sistemas da Meta reforça a hipótese de uma tentativa de interferência no processo eleitoral, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro. A campanha também destacou que as explicações fornecidas pela empresa são escassas e pouco esclarecedoras, reforçando a necessidade de que a Meta se manifeste de forma mais transparente.
Em resposta às alegações do PT, a Meta divulgou nota na qual nega qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro. A empresa classificou as acusações como “falsas” e “sem respaldo nos fatos”. A Meta afirmou que muitos dos problemas técnicos mencionados pelos apoiadores do PT não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas suas plataformas, reforçando o compromisso de cumprir as normas eleitorais e garantir a isonomia no uso de seus serviços durante o período eleitoral.
A iniciativa da campanha de Lula e as denúncias contra a Meta ilustram o clima de tensão e suspeitas envolvendo o ambiente digital na atual disputa eleitoral, além de refletir a preocupação com possíveis ações de plataformas de redes sociais que possam influenciar o resultado do pleito. As próximas semanas deverão esclarecer a veracidade dessas alegações e a postura das plataformas de tecnologia frente às exigências de transparência e imparcialidade durante o processo eleitoral brasileiro.


