A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificou esforços para conter os efeitos negativos de uma declaração recente que alimentou dúvidas sobre seu posicionamento em relação ao programa social Bolsa Família. A controvérsia surgiu após a entrevista dada pela coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, à CBN Bahia, na segunda-feira, 19 de outubro, na qual abordou a proposta de transição de governo e gerou interpretações de que o senador poderia limitar o pagamento do benefício por até dois anos após a obtenção de emprego ou abertura de negócio. Essa fala ampliou a dificuldade enfrentada pelo candidato, que já vinha sendo questionado por adversários sobre suas promessas econômicas e a ausência de detalhes claros sobre uma possível redução de R$ 200 bilhões nas despesas públicas.
A repercussão ocorreu justamente na semana em que os beneficiários do Bolsa Família começam a receber o reajuste de 15% autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno, cuja votação ocorrerá no próximo domingo, 25 de outubro. Em meio a esse cenário, aliados do senador tentam afastar a narrativa de que ele pretende restringir o benefício, reforçando que suas declarações se referem a uma eventual limitação do prazo de recebimento, não à suspensão ou corte do programa social. Flávio afirmou, por meio de vídeos nas redes sociais, que o pagamento continuaria por até dois anos após a pessoa conseguir um emprego formal ou abrir uma empresa, além de garantir o retorno ao benefício caso a pessoa perca o emprego ou o negócio fracasse.
A estratégia de defesa inclui também a tentativa de tranquilizar os eleitores que dependem do benefício, destacando que, sob as regras atuais, a obtenção de emprego formal não provoca automaticamente o desligamento do programa, e que há previsão de continuidade para famílias que retornam à condição de pobreza. Essa abordagem visa evitar que a polêmica prejudique sua base de apoiadores, especialmente enquanto o tema ganha força na reta final da campanha.
Paralelamente, o senador realiza uma agenda de viagens pelos estados de São Paulo e Ceará até quarta-feira, 21 de outubro, buscando ampliar sua votação nessas regiões, antes de se dedicar à preparação para o debate na TV Globo, marcado para sexta-feira, 23. No sábado, 24, ele encerrará a campanha com eventos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Nesse período, aliados próximos reforçam a narrativa de que o senador defende programas sociais e pretendem ampliar sua capilaridade entre eleitores que dependem desses benefícios, buscando consolidar seu apoio mesmo diante do cenário de polarização com Lula.
A controvérsia sobre o Bolsa Família se soma às dificuldades enfrentadas pela campanha de Flávio, que também sofre ataques por não esclarecer suas propostas econômicas de forma detalhada, especialmente quanto à redução de despesas públicas. A fala de Daniella Marques, que abordou a proposta de corte de R$ 200 bilhões, foi vista por membros da equipe como uma abertura para que governistas interpretassem o prazo de pagamento do benefício como uma ameaça à continuidade dos pagamentos, o que gerou desconforto interno e críticas de adversários.
Para contrabalançar essa narrativa, a campanha aposta na divulgação de propostas de Flávio nas redes sociais, além de mobilizar aliados políticos, como o governador de Goiás, Daniel Vilela, e figuras de partidos aliados, incluindo representantes do MDB, Republicanos e demais apoiadores, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste. Em São Paulo, nomes como Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes também participam de ações de mobilização, enquanto no Nordeste o candidato a vice, Alfredo Gaspar, deve reforçar a presença do senador em eventos na capital cearense, Fortaleza, na quarta-feira, e Nikolas Ferreira, deputado de Minas Gerais, participará de atos na sexta-feira, dia do debate.
Diante do cenário, a campanha de Flávio Bolsonaro busca consolidar sua posição, minimizando os efeitos de uma controvérsia que, embora não tenha sido suficiente para alterar o ritmo da disputa, reforça a necessidade de reforçar sua imagem de defensor de programas sociais e de apresentar uma estratégia de comunicação que minimize possíveis prejuízos na reta final do segundo turno.


