A percepção negativa acerca do desempenho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo recorde, conforme revela pesquisa divulgada neste sábado (26 de setembro) pelo Datafolha. O levantamento aponta que 47% dos entrevistados avaliam de forma desfavorável o trabalho dos integrantes da Corte, o que representa o índice mais alto já registrado na série histórica iniciada pelo instituto em 2019.
A pesquisa demonstra uma evolução preocupante na opinião pública sobre o STF. Em março de 2023, a avaliação negativa era de 40%, indicando um aumento de sete pontos percentuais em um período de seis meses. Paralelamente, a avaliação positiva dos ministros permanece em 18%, o mesmo patamar registrado em dezembro de 2019, que também é considerado o nível mais baixo na série de dados do Datafolha. Além disso, 31% dos entrevistados consideram o trabalho do tribunal como regular, enquanto 4% optaram por não opinar.
O levantamento também segmentou as opiniões segundo a preferência política dos entrevistados. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 32% avaliam o desempenho dos ministros como ótimo ou bom, enquanto entre os apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), o índice cai para 6%. Por outro lado, a reprovação entre os eleitores de Flávio Bolsonaro é expressiva, com 69% considerando o trabalho do STF como ruim ou péssimo. Já entre os apoiadores de Lula, esse índice diminui para 24%.
A deterioração na avaliação do tribunal coincide com uma série de revelações envolvendo trocas de mensagens entre alguns ministros do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master. Essas informações têm alimentado debates e críticas acerca da conduta dos magistrados, contribuindo para o aumento do descontentamento da opinião pública.
A pesquisa foi encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e Globo e realizada entre os dias 22 e 23 de setembro de 2023, por meio de abordagem presencial de 2.002 eleitores em diferentes regiões do país. A margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.
Este cenário reflete uma crescente insatisfação com o Supremo, que, além das questões políticas e judiciais, enfrenta o desafio de manter sua credibilidade perante a sociedade em um momento de intensas discussões sobre sua atuação e integridade.


