O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta quinta-feira (3 de setembro) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 será submetida à votação no plenário da Casa após o término do processo eleitoral. A declaração ocorre após a aprovação da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (2 de setembro), mas sem que ela tenha avançado para a fase de votação no plenário, apesar de reiterados pedidos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A PEC do fim da escala 6×1, que prevê a alteração do regime de trabalho em setores específicos, foi alvo de debates intensos na comissão, onde recebeu parecer favorável. No entanto, sua tramitação foi interrompida antes de chegar ao plenário, devido à insuficiência de votos favoráveis entre os senadores, uma realidade reconhecida pelos líderes governistas. Os aliados do governo admitiram publicamente que não possuíam votos suficientes para garantir a aprovação da proposta neste momento, o que levou à decisão de postergar sua votação.
Nesta quinta-feira, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da redução da jornada de trabalho e figura de destaque na luta pela implementação de políticas laborais mais favoráveis aos trabalhadores, voltou a insistir na necessidade de votar a PEC nesta legislatura, que, por sua vez, é a última do mandato do presidente Lula. Paim destacou a importância de concluir a tramitação do projeto antes do encerramento do período legislativo, reforçando o seu apelo para que o tema seja votado ainda neste semestre.
Em resposta às manifestações, Alcolumbre afirmou que a votação ocorrerá após as eleições, reforçando a intenção de deixar a discussão para o momento em que o Congresso estiver plenamente disponível para deliberar sobre o assunto. Ele afirmou: “Aproveito essa oportunidade que o senador Paulo Paim está aqui na mesa para dizer a vossa excelência e ao Brasil que vossa excelência estará aqui votando após as eleições o fim da escala 6×1 no plenário do Senado Federal”. A declaração evidencia a estratégia de postergar a votação, possivelmente até que haja maior alinhamento político ou maior número de votos favoráveis.
A decisão de adiar a votação da PEC reflete o cenário político atual, no qual a maioria dos líderes no Congresso reconhece que a proposta enfrenta dificuldades para obter o apoio necessário. A discussão sobre a alteração na escala de trabalho tem sido marcada por debates sobre os impactos sociais e econômicos, além das implicações para os setores que adotam o regime 6×1, comum em atividades como o setor de segurança pública e outras áreas de trabalho contínuo.
A tramitação de propostas como essa, que envolvem mudanças nas condições laborais, costuma ser complexa e sujeita a negociações intensas. A expectativa é de que, após as eleições, o tema seja retomado, com a esperança de que o cenário político permita uma votação favorável. Por ora, o entendimento é de que a matéria ficará pendente no Senado até o momento oportuno, com a previsão de que a decisão seja tomada posteriormente ao processo eleitoral, conforme anunciado por Alcolumbre.


