O PSOL oficializou a candidatura de Gisvaldo Oliveira ao Governo do Piauí nas eleições de 2026, apresentando-o como alternativa de esquerda tanto ao governo estadual do PT quanto aos setores de oposição identificados com a direita. A legenda optou por concorrer com candidatura própria no estado, mesmo diante do apoio nacional do partido à tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Oliveira, os cenários nacional e estadual são diferentes, o que justifica a defesa de uma frente contra a expansão da extrema-direita no âmbito federal, enquanto no Piauí ele critica a parceria entre o governo estadual do PT e grupos políticos tradicionais, além de adotar medidas que classifica como neoliberais.
Ainda de acordo com o pré-candidato, a estratégia no plano federal envolve construir uma frente que enfrente a eventual volta da extrema-direita ao poder. No Piauí, ele afirma que o governo estadual mantém alianças com oligarquias locais e que as ações em curso adotam políticas que considera neoliberais. Com base nisso, o PSOL pretende apresentar um projeto que não represente a continuidade dessas estruturas nem o que chama de política de “balcão de negócios”. A candidatura estadual, ressalta Oliveira, não rompe com a estratégia nacional do partido: embora haja diferenças programáticas com o PT, o PSOL apoia Lula diante do que vê como uma ameaça representada pela direita radical.
Gisvaldo Oliveira tem formação acadêmica em História pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e mestrado em História do Brasil pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Atualmente, é professor do curso de História da Uespi, no campus Doutora Josefina Demes, em Floriano, no sul do estado. Em novembro de 2025, foi nomeado coordenador da licenciatura em História da unidade. Além disso, atua na Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (Adcesp), vinculada ao Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior). Na gestão da entidade para o biênio 2022–2024, ocupou a Coordenação de Política e Formação Sindical e participou de congressos e instâncias nacionais representando a Adcesp em atividades do Andes-SN.
Sua atuação sindical é caracterizada pela defesa da valorização dos professores, recomposição salarial de servidores públicos e o cumprimento dos planos de carreira, além do fortalecimento das universidades estaduais. A valorização da educação é uma das principais bandeiras defendidas, com críticas à política salarial do governo estadual, apontando perdas remuneratórias para docentes da educação básica e das universidades, bem como atrasos na implementação de progressões e promoções previstas nos planos de carreira. Oliveira defende a recomposição gradual de perdas salariais, o cumprimento dos planos de cargos e salários e a adoção de jornadas de trabalho que reduzam a sobrecarga e os riscos de adoecimento.
O pré-candidato também contesta o discurso oficial sobre avanços na área, afirmando que indicadores, investimentos em infraestrutura e ações de divulgação não substituem uma política permanente de valorização dos trabalhadores da educação. Outro eixo de atuação é a oposição à privatização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário por meio da Agespisa. Oliveira considera esse processo uma privatização de serviço essencial e defende o retorno do controle direto pelo Estado, com uma empresa pública fortalecida capaz de ampliar investimentos em abastecimento, saneamento e prevenção de desastres ambientais. Ele cita a escassez de água em municípios piauienses e os riscos de inundações, erosões e deslizamentos como problemas que exigem planejamento estatal. A proposta é realocar recursos do orçamento estadual para reestruturar a empresa e ampliar a capacidade de investimento, ressalvando que não detalhou quais instrumentos jurídicos seriam usados para reverter contratos já firmados nem qual seria o custo da medida.
Na área da saúde, Oliveira critica a falta de profissionais, a superlotação de unidades e a demora para exames e procedimentos especializados. Em visitas ao interior, relata relatos de longas filas nos hospitais regionais. O PSOL propõe ampliar os investimentos na rede pública de saúde, contratar mais profissionais e reduzir a dependência de modelos de gestão que, segundo a sigla, transferem recursos públicos para entidades privadas. Em relação à segurança pública, o pré-candidato defende uma abordagem que não dependa apenas de ações repressivas: ele defende a prevenção por meio de investimentos em educação, cultura, esporte, qualificação profissional e políticas voltadas à juventude. Mesmo apontando que jovens negros e moradores de periferias são os mais atingidos pela violência policial e pela falta de oportunidades, Oliveira também liga a prevenção de feminicídios à expansão das redes de proteção e assistência às mulheres.
Entre as propostas de atuação, ele também menciona a criação de centros culturais e esportivos, a oferta de cursos profissionalizantes e a ampliação de áreas verdes voltadas à educação ambiental e à convivência comunitária. Em síntese, a agenda de Gisvaldo Oliveira, segundo o próprio biossistema do PSOL, busca consolidar uma alternativa progressista ao atual ciclo político no estado, com foco em valorização do funcionalismo público, soberania de serviços públicos essenciais e políticas de prevenção social como fundamentos para uma gestão pública mais inclusiva.


