A reportagem A Política da Bala, publicada pelo Metrópoles, foi vencedora do Prêmio Gabo de Jornalismo de 2026 na categoria Cobertura. O prêmio é promovido pela Fundação Gabo, com sede na Colômbia, em homenagem ao escritor e jornalista Gabriel García Márquez. Considerado um dos mais importantes reconhecimentos internacionais de qualidade jornalística, o Gabo premiou, nesta edição, 1.915 trabalhos provenientes de 20 países, além de contemplar as categorias Texto, Imagem, Fotografia e Áudio. A matéria do Metrópoles destacou-se diante de concorrentes de renome internacional, como El País (Espanha), Público (Portugal) e Folha de S. Paulo.
Contexto da premiação e alcance da edição
Nesta edição, 1.915 trabalhos de 20 países foram inscritos no Prêmio Gabo, uma referência global no reconhecimento de jornalismo de qualidade. Além da categoria Cobertura, também foram premiadas as áreas de Texto, Imagem, Fotografia e Áudio. O Metrópoles, com a reportagem A Política da Bala, superou veículos de grande expressão internacional, evidenciando a força do jornalismo investigativo produzido pelo portal.
Sobre a reportagem e o seu eixo investigativo
Produzida por Artur Rodrigues e Renan Porto, a reportagem A Política da Bala oferece uma radiografia inédita sobre os fatores que estão por trás do aumento da letalidade da Polícia Militar de São Paulo, no contexto da gestão do governador Tarcísio de Freitas e do então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. Em nota publicada pela comissão julgadora, o prémio destacou que a obra não se limita a uma lista de casos, mas constrói uma narrativa fundamentada em dados, relatos de familiares e eventos locais, ampliando o debate público sobre violência policial.
Renan Porto enfatizou que o reconhecimento é dedicado às pessoas marginalizadas da capital paulista e às famílias que vivenciaram assassinatos sob regimes autoritários na América Latina, cujos relatos contrariam versões oficiais que apresentavam ataques contra a polícia como justificativa para o uso da força.
Metodologia e apuração
Ao longo de nove meses de trabalho, a equipe reuniu informações a partir de relatórios policiais obtidos de fontes distintas e localizou registros judiciais relacionados a cada caso. O esforço resultou em um banco de dados que reúne nomes, idades e raças das vítimas, bem como o número de disparos e as áreas corporais atingidas. A investigação demonstrou que 85 pessoas foram mortas desarmadas e 47 foram baleadas pelas costas, dados que confrontam diretrizes que autorizam a reação policial apenas quando há grave ameaça.
A apuração também apontou a existência de um “pelotão da morte” dentro da Polícia Militar de São Paulo, caracterizado por um pequeno grupo de oficiais responsável por mais de 20% dos homicídios registrados no período analisado.
Reconhecimento da comissão avaliadora
A comissão julgadora encerrou a análise destacando que a reportagem conecta os casos a uma política deliberada do governo de São Paulo para incentivar a violência policial e reduzir a fiscalização de abusos. A avaliação aponta que a investigação vai além de dados frios ao construir uma narrativa baseada no clamor por justiça e na indignação das famílias das vítimas. Também foi ressaltado que a matéria não trata as mortes como números abstratos, mas como pessoas identificáveis com histórias e contextos familiares.
Equipe editorial e de produção
A reportagem conta com um minidoc produzido por Rodrigo Freitas. A edição ficou sob a responsabilidade de Fabio Leite, diretor da sucursal de São Paulo, e a revisão do texto foi realizada por Juliana Garcês. Participaram da concepção Lilian Tahan, Otto Valle, Márcia Delgado, Olívia Meireles e Érica Montenegro. O projeto gráfico ficou a cargo de Gui Prímola, Lygia Lyra e Gabriel Lucas, com a pesquisa de imagens realizada por Daniel Ferreira e Michael Melo. O desenvolvimento tecnológico do projeto foi conduzido por Ítalo Ridney, Caio Sales e Saulo Marques.
Histórico do Metrópoles no Prêmio Gabo
Esta foi a primeira vez que o Metrópoles esteve entre os finalistas do Prêmio Gabo, após ter figurado entre as indicações nas edições anteriores. Em 2025, a reportagem Baixada Sangrenta foi apontada entre os 10 melhores trabalhos multimídia. Em 2021, o portal foi indicado com a reportagem Onde vai parar o lixo reciclado (também na categoria multimídia), e em 2018, com Chacinas nos presídios: conheça as 123 histórias dos detentos mortos, na mesma categoria multimídia.


