Felipe Nasr, piloto da Porsche no IMSA, concedeu entrevista à Itatiaia para relembrar um episódio vivido durante as 24 Horas de Le Mans de 2024, prova que integra o Campeonato Mundial de Endurance (WEC) na categoria Protótipo e que ocorreu na França. O relato enfatiza a dificuldade enfrentada em condições de chuva, quando o limpador de para-brisa falhou durante a corrida, complicando a pilotagem a altas velocidades.
Segundo Nasr, houve um momento da prova em que o limpador do carro parou de funcionar justamente sob chuva intensa. Questionado sobre como é possível conduzir um carro a 300 km/h nessas condições sem o recurso do limpador, o piloto descreveu o desafio como algo extremante árduo. “Teve um momento da prova em que o limpador do carro, né, do para-brisa, parou de funcionar e estava chovendo horrores. Então, como é que você pilota um carro a 300 km/h debaixo de chuva sem o limpador?”, disse Nasr em referência ao episódio que ficou marcado em sua memória.
A reação ao problema foi, para o piloto, uma das mais difíceis experiências de sua carreira. Nasr explicou que a falta de um elemento visual confiável reduz a percepção ao volante: “Foi uma das coisas mais difíceis que eu já enfrentei assim na minha carreira, porque você perde um senso. Você fica sem uma referência. A única coisa que eu conseguia ver era aquele spray de água, um pouco das faixas, as linhas brancas da pista, algum farol de um carro na frente, mas você sabe que no seu subconsciente você tem um pouco do desenho da pista na cabeça.” Em continuidade ao relato, o brasileiro enfatizou que a ausência do elemento visual essencial exige muito trabalho mental para processar a condução da melhor forma possível. “Então foi difícil pra caramba. E isso te, isso te toma muita energia. Diferente de você estar pilotando com todo o visual aqui. Você consegue enxergar bem, é uma coisa. Agora, quando tira esse elemento da sua frente, você está tentando processar aquilo da melhor maneira possível. Foi uma loucura”, encerrou Nasr.
O episódio mencionado não ficou apenas nas lembranças do piloto. As cenas descritas por Nasr foram utilizadas na produção do documentário 2DIE4: 24 Horas no Limite, exibido recentemente em Belo Horizonte. A apresentação marcou a inclusão de imagens que captaram o momento de tensão durante a prova. Na edição, o carro guiado por Nasr, ao lado de Nick Tandy e Mathieu Jaminet, terminou abandonando a corrida com aproximadamente seis horas restantes. O bólido #4 encerrou a programação na 52ª posição, um desfecho que não diminuiu o peso da experiência vivida pelo time e pelo próprio Nasr.
A trajetória de Nasr no automobilismo é ampla. Além de passar por Fórmula 1 e Fórmula E, o piloto tem atuado com destaque no IMSA, onde acumulou títulos da categoria nas temporadas de 2018, 2021 e 2024. Em termos de conquistas internacionais, Nasr soma vitórias ambiciosas nas 24 Horas de Daytona e nas 12 Horas de Sebring, provas emblemáticas do esporte a motor que reforçam a consistência de seu desempenho ao longo dos anos.
O relato de Nasr ganha relevância não apenas pela vivência individual, mas também pelo contexto de uma temporada em que equipes de ponta enfrentam condições extremas em circuitos de renome mundial. O episódio dos testes de chuva em Le Mans evidencia como o manejo de adversidades fora do esperado — como falhas mecânicas nesse tipo de competição — exige não apenas técnica, mas também resiliência psicológica, para manter o foco e manter o ritmo até as etapas finais de uma prova que se consolidou como referência no automobilismo global.


