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Congresso dos EUA solicita ações contra Brasil por projeto de lei de mercados digitais

Congresso dos EUA solicita ações contra Brasil por projeto de lei de mercados digitais

Um grupo de 20 congressistas republicanos dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (23), uma carta ao Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), solicitando ações contra o Brasil em reação ao avanço do projeto de lei que regula os mercados digitais e que ampliaria os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para enfrentar práticas anticoncorrenciais de grandes empresas de tecnologia. O ofício foi dirigido ao chefe do USTR, Jamieson Greer, e é liderado pelos congressistas Adrian Smith (Nebraska) e Jim Jordan (Ohio), com a assinatura de outros 18 parlamentares do Partido Republicano.

Os autores argumentam que a proposta brasileira, apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional, parece reproduzir termos de legislação europeia sobre o tema e, segundo eles, imporia às plataformas digitais norte-americanas um novo regime regulatório, onerando-as com regras que, na visão deles, não correspondem à realidade do ecossistema digital dos EUA.

O Projeto de Lei (PL) 4675 ainda não tem data marcada para votação. Contudo, o deputado Aliel Machado (PV-PR) já apresentou seu relatório e fez um apelo aos colegas pela aprovação em reunião de líderes realizada neste mês. Enquanto isso, a Câmara dos Deputados discute a tramitação do texto, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu suspender a votação em plenário diante da resistência de várias legendas. Partidos de direita e do Centrão argumentam que o projeto abre brechas para a regulação de conteúdo, o que tem suscitando críticas de setores mais conservadores e de oposição à proposta.

Na carta encaminhada ao USTR, Smith e Jordan mencionam a investigação sob a Seção 301, que propôs uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros em função de supostas práticas comerciais desleais que afetariam a competitividade de empresas norte-americanas. No entanto, os congressistas vão além ao afirmar que é especialmente preocupante o fato de, justamente no momento em que as ações relacionadas a essa investigação estão se aproximando de uma conclusão, o Brasil buscar expandir políticas discriminatórias em vez de consultar os Estados Unidos para resolver essas preocupações.

As tensões entre Brasil e Estados Unidos não são novidade. O governo brasileiro já respondeu a preocupações anteriores dos EUA em outras ocasiões, mantendo, segundo autoridades brasileiras, a defesa da soberania diante de pressões externas. A carta dos congressistas reforça esse momento de tensão bilateral, apontando que, caso o projeto avance, as barreiras para as empresas digitais dos EUA que operam no Brasil poderiam se agravar. Além disso, os signatários afirmam que a adoção de medidas semelhantes à Digital Markets Act (DMA) europeia, que classificam como discriminatórias, entraria em conflito direto com os interesses norte-americanos.

Em síntese, o documento representa uma tentativa de influenciar a condução da política regulatória brasileira sobre plataformas digitais, ao mesmo tempo em que evidencia a complexa relação entre Brasília e Washington no âmbito econômico e tecnológico. A reação de autoridades brasileiras permanece a defesa da soberania nacional e a defesa de um marco regulatório que, segundo o governo, busca adaptar o arcabouço nacional às mudanças rápidas do ambiente digital, sem ceder a pressões externas.

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