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Ministro do STF autoriza investigação da PF sobre colega do STJ por suspeita de venda de decisões judiciais

Ministro do STF autoriza investigação da PF sobre colega do STJ por suspeita de venda de decisões judiciais

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu autorização à Polícia Federal (PF) para abrir um inquérito visando investigar o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Dias de Moura Ribeiro. A investigação se baseia em suspeitas de que Moura Ribeiro estaria envolvido em um esquema de venda de decisões judiciais. Este é um marco significativo, pois marca a primeira vez que um membro do STJ se torna alvo formal das investigações vinculadas à Operação Sisamnes, que foi iniciada em novembro de 2024.

A decisão de Zanin, tomada em caráter sigiloso no final de maio e divulgada na última quinta-feira (23), foi uma resposta a um pedido da PF, que contou com o respaldo da Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com informações preliminares da PF, um relatório indicou a existência de evidências que justificam um aprofundamento nas investigações em relação ao magistrado.

As apurações revelam que há indícios de que decisões proferidas por Moura Ribeiro podem ter favorecido a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves, que é esposa do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. Este último é considerado um dos principais articuladores do suposto esquema de corrupção e compra de decisões judiciais no STJ. O relatório da PF menciona dez processos que estão sob a relatoria do ministro e que serão objeto de análise detalhada durante o inquérito.

Um dos casos destacados envolve uma disputa pela posse de uma fazenda localizada em Mato Grosso. Segundo a PF, há indícios de que Moura Ribeiro teria alterado seu entendimento sobre o processo após a constituição de Mirian Ribeiro Gonçalves como advogada de uma das partes envolvidas. A Polícia Federal planeja intensificar a investigação sobre a tramitação desses processos, além de realizar novas diligências que incluem a verificação de movimentações financeiras relacionadas ao caso.

Ao autorizar a abertura do inquérito, Zanin enfatizou que os elementos apresentados indicam a necessidade de investigar possíveis indícios de ilegalidades penais que possam envolver a autoridade com foro no Supremo Tribunal Federal. O ministro também considerou as diligências solicitadas pela PF e pela PGR como essenciais e justificadas, reforçando a importância da transparência e da justiça no processo.

Por sua vez, o ministro Moura Ribeiro foi contatado e afirmou não ter conhecimento sobre a existência de investigações que envolvam decisões de sua relatoria. Ele negou qualquer envolvimento em atividades irregulares e destacou sua longa trajetória de mais de quatro décadas como profissional do Direito, ressaltando que sempre atuou de forma honrada e ética em sua carreira.

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