Correio Divinopolitano

Justiça rejeita ação de Flávio contra deputado do PT por postagem sobre imóvel no Rio

Justiça rejeita ação de Flávio contra deputado do PT por postagem sobre imóvel no Rio

A Justiça do Distrito Federal julgou improcedente a ação movida pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), contra o deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Flávio pedia indenização por danos morais, retratação pública e a proibição de novas publicações após o parlamentar petista divulgar, nas redes sociais, um vídeo que associava o senador a uma disputa judicial envolvendo um imóvel em Angra dos Reis (RJ).
Na decisão, assinada pela juíza Vivian Lins Cardoso Almeida, da 23ª Vara Cível de Brasília, o pedido de remoção da publicação foi extinto sem análise do mérito porque o conteúdo já havia sido apagado da rede social. Os demais pedidos foram rejeitados.
A ação foi apresentada por Flávio Bolsonaro após Rogério Correia publicar, em março deste ano, um vídeo em que relacionava o senador a uma disputa pela posse de um imóvel localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Na publicação, o deputado utilizou expressões como “golpe”, “grilagem”, “milícia”, “lavagem de dinheiro” e chamou Flávio de “o filho mais corrupto de Bolsonaro”. O senador alegou que nunca teve qualquer vínculo jurídico, econômico ou possessório com o imóvel e afirmou que sua única relação com o caso foi ter sido indicado como testemunha em um dos processos envolvendo a propriedade.
Ao analisar o caso, a magistrada concluiu que a publicação ocorreu em contexto de embate político entre dois agentes públicos e, por isso, está protegida pela imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição. Segundo a sentença, embora a linguagem utilizada seja dura e contenha críticas contundentes, a manifestação foi feita no exercício da atividade parlamentar e em um ambiente de comunicação política.
A decisão destaca que a imunidade parlamentar “não se restringe a manifestações educadas ou moderadas” e também alcança críticas ásperas quando relacionadas ao exercício da representação política. A juíza reconheceu que Flávio Bolsonaro não figurou como parte nas ações judiciais envolvendo o imóvel e que os documentos apresentados demonstram apenas que ele foi indicado como testemunha em um dos processos.
Ao mesmo tempo, a sentença ressalta que essa indicação demonstra uma relação periférica com o episódio e que o nome do senador já havia sido citado anteriormente em reportagens sobre o caso, o que, segundo a magistrada, afasta a tese de que Rogério Correia tenha criado a narrativa sem qualquer base informativa.
A Justiça também concluiu que não ficou caracterizado ato ilícito capaz de gerar indenização por danos morais. Na avaliação da magistrada, a publicação misturou fatos, interpretações e críticas políticas, sem apresentar uma afirmação técnica sobre eventual condenação criminal de Flávio Bolsonaro.
A decisão afirma ainda que o senador não demonstrou prejuízos concretos decorrentes da publicação, como perda de função, contratos ou outras consequências diretas, além de considerar que o conteúdo estava protegido pela imunidade parlamentar.
Além de negar a indenização, a Justiça rejeitou o pedido para obrigar Rogério Correia a publicar uma retratação e também recusou a solicitação para impedir novas manifestações do deputado sobre o tema, entendendo que uma proibição genérica configuraria censura prévia.
Com isso, a ação foi julgada improcedente, e Flávio Bolsonaro foi condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *