Um estudo clínico realizado na Coreia do Sul revelou que o uso de um suplemento contendo três diferentes cepas de bactérias pode oferecer benefícios à saúde cerebral de idosos com sinais iniciais de comprometimento cognitivo. Os resultados, publicados em 28 de agosto no Journal of Alzheimer’s Disease, indicam que, após 24 semanas de uso, os participantes que receberam o probiótico apresentaram redução de um marcador sanguíneo associado ao Alzheimer e melhorias em determinadas habilidades cognitivas, especialmente na interpretação de informações visuais e na compreensão de espaços.
A pesquisa foi conduzida com 87 idosos que participavam de um projeto dedicado ao estudo do envelhecimento e das demências. Desses, 40 receberam o suplemento probiótico diariamente, enquanto 47 tomaram um placebo, uma preparação sem microrganismos ativos. O estudo adotou o método duplo-cego, ou seja, nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam quem recebia o probiótico ou o placebo, garantindo maior rigor científico aos resultados.
Os benefícios mais evidentes foram observados em tarefas que envolviam a interpretação de informações visuais, compreensão de organização espacial e reprodução de figuras. Além disso, os participantes que consumiram o suplemento preservaram melhor a capacidade de recordar desenhos, ao passo que os que usaram o placebo apresentaram piora nesse aspecto. Os resultados também mostraram uma melhora na escala clínica que avalia o comprometimento cognitivo, especialmente na área relacionada à memória. Contudo, não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos testes de memória verbal, funções executivas ou na avaliação geral de cognição pelo Miniexame do Estado Mental.
Outro dado relevante do estudo foi a diminuição do nível sanguíneo de uma forma modificada da proteína tau, conhecida como pTau181, que é considerada um marcador de alterações relacionadas ao Alzheimer. A redução dessa proteína foi maior entre os participantes que receberam o probiótico em comparação ao grupo que tomou o placebo. A fórmula testada, denominada KL-P301, continha três cepas bacterianas específicas e era consumida na forma de pó, que podia ser dissolvido em água ou ingerido diretamente.
Além da diminuição do pTau181, os pesquisadores observaram uma redução significativa na quantidade de IL-1β, uma substância envolvida na resposta inflamatória, entre os voluntários que usaram o suplemento. Esses achados reforçam a hipótese de que a saúde intestinal, por meio da presença de microrganismos benéficos, pode influenciar processos inflamatórios e, por consequência, a saúde cerebral.
Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo ressaltam que a redução do marcador sanguíneo não significa necessariamente que o produto tenha removido depósitos de tau no cérebro ou prevenido o desenvolvimento do Alzheimer. Eles destacam a necessidade de estudos maiores e de maior duração para avaliar se esses benefícios podem ser mantidos ao longo do tempo e se o uso prolongado do probiótico pode impactar de forma mais significativa o curso da doença neurodegenerativa.


