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Acusado de matar policial penal em hospital de BH vira réu após tentativa de fuga com uniforme da vítima

Acusado de matar policial penal em hospital de BH vira réu após tentativa de fuga com uniforme da vítima

A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia contra Shaylon Cristian Ferreira Moreira, de 26 anos, acusado de assassinar a tiros o policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha, de 42, durante uma escolta no Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com o recebimento da acusação, o suspeito passou a responder como réu por homicídio qualificado e falsa identidade.

O crime ocorreu na madrugada de 3 de agosto de 2025. A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em 27 de outubro e recebida nesta quarta-feira (4) pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte.

De acordo com o Ministério Público, o homicídio foi praticado com recurso que teria dificultado a reação e a defesa da vítima. A acusação também considera que Euler foi morto enquanto exercia a função de policial penal. Já o crime de falsa identidade está relacionado à suposta tentativa de Shaylon de se passar por agente de segurança ao deixar o hospital vestido com o uniforme do servidor assassinado.

Policial acompanhava detento internado

Euler Oliveira Pereira Rocha trabalhava havia 15 anos na Polícia Penal. No momento do crime, ele fazia a custódia de Shaylon, que estava internado no Hospital Luxemburgo desde 27 de julho. O acusado era detento do Presídio José Martinho Drumond, localizado em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo a denúncia apresentada pelo MPMG, por volta das 2h16, Shaylon teria se aproximado do policial penal e iniciado uma luta corporal. Durante o confronto, o acusado teria conseguido tomar a arma que estava com Euler.

Na sequência, ainda conforme a acusação, Shaylon disparou contra o agente. Euler ficou gravemente ferido e morreu dentro do hospital, apesar das manobras de reanimação realizadas pela equipe médica.

Depois dos disparos, o detento teria lavado as mãos, que estavam sujas de sangue, e trocado as próprias roupas pelo uniforme e pelo colete balístico usados pela vítima. A denúncia afirma ainda que ele pegou uma bolsa que guardava armas de fogo, carregadores e munições.

Fuga terminou após abordagem da Polícia Militar

As câmeras de segurança do Hospital Luxemburgo registraram Shaylon deixando a unidade de saúde com o uniforme e os equipamentos pertencentes a Euler. Durante o deslocamento, ele teria abordado uma mulher e a convencido a solicitar uma corrida por aplicativo.

A testemunha, segundo o Ministério Público, acreditou que o acusado fosse um profissional da segurança pública. O trajeto, porém, foi interrompido depois que o veículo acabou interceptado pela Polícia Militar.

Shaylon foi preso em flagrante ainda usando as roupas do policial penal. Com ele, também foram encontrados os equipamentos retirados do hospital após o assassinato.

Policial penal que fazia a escolta também é investigado

A decisão judicial menciona ainda o policial penal Warlley Carlos dos Reis. Ele estava escalado para acompanhar Shaylon no hospital junto com Euler. As investigações indicam que Warlley teria deixado o posto sem comunicar previamente a saída, fazendo com que Euler permanecesse sozinho na escolta do detento.

No despacho, a juíza informou que o Ministério Público tomou as medidas necessárias para prosseguir com a apuração envolvendo Warlley. O policial, no entanto, não foi incluído na denúncia aceita nesta etapa do processo contra Shaylon.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que as regras para escoltas hospitalares exigem a presença de dois policiais penais. No dia anterior ao homicídio, equipes de fiscalização do Departamento Penitenciário de Minas Gerais estiveram no Hospital Luxemburgo e verificaram que os dois servidores escalados estavam no local.

Após essa fiscalização, porém, Warlley teria deixado o hospital sem autorização e sem informar previamente a saída. Ele se apresentou à Corregedoria da Sejusp em 5 de agosto de 2025 e passou a ser alvo de procedimentos nas áreas administrativa e criminal.

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