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Ibovespa sobe com reação às eleições nos EUA e expectativa sobre decisão do Copom

Ibovespa sobe com reação às eleições nos EUA e expectativa sobre decisão do Copom

O Ibovespa abriu a sessão desta quarta-feira (4/11) em alta, alcançando 167.391,97 pontos às 11h02. O avanço de 1,13% em relação ao fechamento da terça-feira ocorre em meio à repercussão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e à expectativa do mercado pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros.

O resultado das eleições americanas também influenciou o comportamento dos ativos brasileiros. O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, reduzindo o poder político de Donald Trump. A nova configuração do Congresso dos Estados Unidos passou a ser acompanhada pelos investidores, que avaliam os possíveis impactos sobre as decisões e a condução política no país.

No Brasil, a reunião do Copom está no centro das atenções do mercado financeiro. A expectativa é de que a Selic seja mantida em 13,75%. Caso essa previsão se confirme, a decisão poderá interromper uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A possibilidade de manutenção dos juros ocorre em um cenário de incerteza em relação à política fiscal do próximo governo Lula. O mercado vem demonstrando preocupação com as medidas econômicas que poderão ser adotadas e com os efeitos dessas decisões sobre a trajetória das contas públicas, a inflação e os juros.

Na sessão de terça-feira, o principal índice da B3 chegou a 165.528,92 pontos, o menor nível desde janeiro. O resultado refletiu a pressão dos investidores sobre a política fiscal que será conduzida pelo próximo governo do presidente Lula. A reação do mercado tem sido marcada por cautela diante das dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas e os rumos da política econômica.

O dólar também abriu em queda nesta terça-feira, cotado a R$ 5,45 às 9h, após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Por volta das 11h, a moeda americana era negociada a R$ 5,47. A oscilação ocorreu enquanto investidores avaliavam as consequências da redução do poder de Donald Trump no Congresso americano.

Debate sobre a taxa de juros ganhou espaço

As discussões sobre o nível da Selic também foram alimentadas por uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos responsáveis pelo Plano Real. Em artigo publicado em setembro, ele defendeu que a redução dos juros para 7,5% ao longo de 12 meses poderia contribuir para a queda da inflação, desde que acompanhada de metas fiscais e do uso das reservas internacionais do Brasil.

No texto, Lara Resende criticou a atuação do Banco Central e questionou a manutenção da taxa de juros em patamar elevado. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, afirmou o economista em um trecho do artigo.

A possibilidade de o governo discutir o congelamento da taxa de juros também foi mencionada após uma informação publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que Lula se reuniria com André Lara Resende. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que exista uma discussão dentro do governo sobre o congelamento da Selic e afirmou que a equipe econômica não tem reunião marcada com o economista.

Com a decisão do Copom no radar e as dúvidas sobre a política fiscal do próximo governo, o mercado acompanha simultaneamente os movimentos da Bolsa, do câmbio e dos juros. Nesse contexto, a alta do Ibovespa nesta quarta-feira ocorre após a forte queda registrada na sessão anterior e em meio à avaliação dos efeitos políticos das eleições americanas sobre os mercados.

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