O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4/11) a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. A decisão foi anunciada após uma reunião da legenda realizada na sede do partido, em Brasília. A eleição para o comando da Casa está marcada para 1º de fevereiro e dependerá da capacidade dos candidatos de formar alianças e conquistar o apoio dos demais senadores.
Marinho é uma das principais apostas do bolsonarismo na disputa. O senador foi coordenador da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) e mantém a confiança da família Bolsonaro. Durante a reunião que confirmou seu nome, ele voltou a apresentar como prioridade uma agenda alinhada às pautas defendidas pelo grupo político, caso seja eleito para presidir o Senado.
Entre os temas mencionados pelo parlamentar estão o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Marinho afirmou que uma eventual gestão à frente do Senado teria como objetivo atuar como uma “salvaguarda da Constituição”.
“Me perguntaram: ‘será presidente do Congresso de um tema só? Monotemático?’. Claro que não. Mas nós faremos valer a Constituição. Não seremos omissos”, declarou o senador durante a reunião.
Disputa ainda reúne três candidaturas
O cenário para a eleição permanece indefinido. Além de Rogério Marinho, também estão na corrida o senador Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado, que busca a reeleição, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que tenta conquistar votos entre os parlamentares da oposição.
A confirmação do nome de Marinho ocorreu em meio a negociações entre partidos oposicionistas para tentar construir uma candidatura única. Nos bastidores, havia articulações para aproximar Marinho e Tereza Cristina, com o objetivo de concentrar os votos da oposição em um único nome e evitar a divisão do eleitorado entre os dois candidatos.
Para vencer a eleição à presidência do Senado, o candidato precisa obter pelo menos 41 votos. O PL terá uma bancada de 29 senadores em 2027. Com esse número, Marinho precisaria conquistar o apoio de pelo menos outros 12 parlamentares para alcançar a maioria necessária.
O partido aposta também na possibilidade de atrair parlamentares considerados “dissidentes políticos”, inclusive integrantes do União Brasil, para ampliar a base de apoio ao senador do Rio Grande do Norte.
Alcolumbre reúne apoio de partidos
Davi Alcolumbre, por sua vez, já iniciou a articulação para garantir a permanência no cargo e recebeu o apoio formal de legendas relevantes na composição do Senado. Até o momento, o senador tem sinalizações favoráveis do MDB, do PSD e do PT, além do União Brasil e do PP, que também anunciaram apoio à sua reeleição.
Apesar do apoio declarado por diferentes partidos, Alcolumbre também considera a possibilidade de receber votos de integrantes da bancada do PL. Dessa forma, a disputa ainda pode envolver dissidências dentro das próprias legendas que anunciaram apoio aos candidatos.
Durante a reunião desta quarta-feira, Marinho criticou as articulações conduzidas pelo atual presidente do Senado. O candidato acusou Alcolumbre de oferecer vantagens e recursos para conquistar votos.
“Porque ele pode cooptar. Como? Com um sorriso bonito? Um abraço fraterno? Não. Com aquilo que ele não pode dizer. Com verbas, com vantagens e com atalhos”, afirmou.
Senador relembra disputa de 2023
Marinho também citou a eleição de 2023, quando concorreu ao comando do Legislativo e perdeu a disputa para o deputado federal Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Na ocasião, segundo o senador, o PL perdeu espaço em comissões por não ter integrado o bloco vencedor.
Ao relembrar o episódio, Marinho criticou a postura adotada na formação dos espaços de poder e classificou os responsáveis pela decisão como “déspotas”. Ele afirmou que, se for eleito, pretende garantir espaço aos demais partidos e respeitar o critério da proporcionalidade na distribuição das comissões e das funções do Senado.
A eleição de 1º de fevereiro, portanto, será marcada pela busca de alianças entre os partidos e pela tentativa dos candidatos de consolidar apoios além de suas próprias bancadas. Enquanto Marinho tenta reunir a oposição em torno de sua candidatura, Alcolumbre trabalha para ampliar a vantagem obtida com o apoio formal de diferentes legendas.


