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Mercado aposta na manutenção da Selic em 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos

Mercado aposta na manutenção da Selic em 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos

O mercado financeiro prevê, em sua maioria, que o Comitê de Política Monetária (Copom) interromperá nesta quarta-feira (4/11) a sequência de cortes na taxa básica de juros, a Selic. Se a expectativa se confirmar, o índice permanecerá em 13,75% ao ano. A reunião do colegiado começou na terça-feira e será encerrada nesta quarta, com a decisão prevista para ser divulgada após as 17h.

A possibilidade de manutenção da taxa está relacionada à piora das condições econômicas, tanto no cenário doméstico quanto no exterior. No Brasil, a inflação voltou a ganhar força, especialmente nos preços dos alimentos, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido. No ambiente internacional, o petróleo e o dólar registraram alta. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantiveram sua taxa de juros e apresentaram redução da atividade econômica.

Projeções de inflação seguem acima do teto da meta

As estimativas para a inflação, reunidas pelo Banco Central no Boletim Focus, subiram para 5,22% neste ano e 4,6% no próximo. Os dois percentuais estão acima do teto da meta de inflação, estabelecido em 4,5%. O centro da meta é de 3%.

Os dados mais recentes sobre os preços reforçam a preocupação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, avançou 0,32% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,62%.

O resultado foi influenciado principalmente pelo grupo alimentação e bebidas, que teve aumento de 0,88%. Dentro desse grupo, os alimentos consumidos no domicílio foram o principal fator de pressão, com alta de 1,01% no período.

Mercado de trabalho permanece aquecido

Apesar dos sinais de perda de força da atividade econômica, o mercado de trabalho continua apresentando desempenho robusto. A taxa de desemprego do trimestre encerrado em setembro ficou em 5,2%, o menor nível já registrado para esse período.

Em sentido contrário, alguns indicadores apontam desaceleração da economia. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), usado como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,6% no trimestre encerrado em agosto. Esse é o dado mais recente do indicador, divulgado em meados de outubro.

Uma semana antes da reunião do Copom, as Opções de Copom negociadas na B3 apontavam probabilidade implícita de 63,1% para a manutenção da Selic. O cálculo refletia a leitura dos investidores sobre o comportamento esperado do comitê diante da inflação mais pressionada e das incertezas econômicas.

Economistas divergem sobre a decisão do Copom

O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, prevê a manutenção da taxa. Para ele, além da piora dos fatores internos, o Copom deve considerar o comportamento do petróleo e do dólar, que encerrou a sessão de terça-feira (3/11) cotado a R$ 5,48.

“Os preços do petróleo registraram elevação desde a última reunião (do Copom em setembro). Considerando as sensibilidades dos modelos do Banco Central, acreditamos que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem subir e ficar acima da meta”, afirmou Salles.

O chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, também avalia que o cenário atual deve levar os diretores do Banco Central a suspenderem o ciclo de cortes, que já soma cinco reduções.

“Acredito que não haverá um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A expectativa que existia antes do segundo turno se perdeu após o caos do dia 26 de outubro. Como as expectativas mudaram, o mercado embutiu no juro futuro o que acredita que o banco central irá fazer e, pelo que posso ler, acredito que ele irá manter a taxa de juros no patamar atual”, disse Magno.

O Banco Daycoval, no entanto, trabalha com uma projeção diferente. Em relatório divulgado na terça-feira, a instituição considerou o resultado do segundo turno e a reação dos mercados refletida no Boletim Focus da mesma data. Para os analistas do banco, o cenário mais provável ainda é o de um corte adicional de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 13,5% ao ano.

“A despeito da deterioração dos preços dos ativos pós-resultado eleitoral, o comitê não deve colher alteração relevante em suas projeções de inflação e, sob um quadro de contínua desaceleração da atividade, deve realizar mais um corte de juros”, afirma o relatório.

A reunião iniciada na terça-feira será concluída nesta quarta-feira (4/11). A decisão do Copom deve ser anunciada depois das 17h.

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