O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), não terá mandato eletivo a partir de 2027 e deverá retornar a Alagoas para reorganizar a atuação do partido no estado. Aliados do parlamentar avaliam que o próximo passo político será fortalecer a base do PL com vistas à disputa pela Prefeitura de Maceió em 2028.
Gaspar assumiu o comando do diretório estadual do PL em Alagoas no início deste ano. Naquele momento, o projeto político previa a candidatura a uma das duas vagas do estado no Senado e a construção de uma aliança entre forças de direita em torno de João Henrique Caldas, o JHC, candidato vitorioso ao governo estadual.
Ao longo dos meses, no entanto, as prioridades foram alteradas. Gaspar foi escolhido para ocupar a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, mas, mesmo durante a campanha nacional, manteve as articulações relacionadas à política alagoana. Com o resultado das urnas, a expectativa é que ele passe a se dedicar à reorganização do diretório estadual e à ampliação da base do partido.
O PL conquistou duas cadeiras na Assembleia Legislativa de Alagoas. Entre os eleitos está Cabo Bebeto, que obteve mais de 99 mil votos e foi o candidato mais votado do estado. A legenda também espera participar do governo de JHC como parte de um acordo político para apoiar o tucano na disputa contra Renan Filho (MDB).
Segundo aliados de Gaspar ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, a candidatura à Prefeitura de Maceió seria o “caminho natural” para o deputado. O desempenho de Flávio Bolsonaro na capital é apontado como um dos elementos que sustentam essa possibilidade. Embora Luiz Inácio Lula da Silva tenha vencido em Alagoas no primeiro e no segundo turno, Maceió deu 52% dos votos a Flávio nas duas etapas da eleição.
Após a derrota, Flávio passou a afirmar reiteradamente que o processo eleitoral havia sido fraudado e deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, apesar de existir uma ordem de retenção de seus passaportes expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Gaspar não repetiu os questionamentos contra o sistema eleitoral, agradeceu aos eleitores e, ao mesmo tempo, defendeu a saída do senador do país. Também afirmou que a direita é “perseguida”.
A projeção nacional de Alfredo Gaspar aumentou durante sua atuação como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. O relatório elaborado por ele pediu o indiciamento do filho do presidente Lula. O documento, porém, foi rejeitado após uma manobra atribuída ao governo, embora o episódio tenha ampliado a visibilidade de Gaspar e da oposição.
Disputa de 2020 antecede possível candidatura
Caso confirme a intenção de concorrer em 2028, Gaspar disputará novamente o comando da capital alagoana. Em 2020, ele foi candidato pelo MDB, apesar de atualmente estar na oposição ao grupo político liderado pelo senador Renan Calheiros. Naquele ano, Gaspar terminou o primeiro turno na liderança, mas perdeu a eleição para JHC, que venceu de virada.
A próxima disputa municipal também pode colocar Gaspar novamente contra o grupo de JHC. O tucano deverá tentar lançar Rodrigo Cunha, sem partido, como seu sucessor. Cunha é apontado na matéria como atual prefeito e já ocupou o cargo de vice de JHC. Paralelamente, o MDB deverá passar por um processo de reorganização depois da derrota registrada neste ano.
Nesse cenário, o retorno de Gaspar à política estadual poderá representar uma tentativa de consolidar o PL como uma das principais forças da direita em Alagoas e preparar o partido para a eleição municipal de 2028.


