O asfalto cedeu no encontro das ruas Geraldo Vasconcelos e Professor Ivan Lage, no bairro Estoril, na região Oeste de Belo Horizonte. O trecho apresenta buracos, blocos de pavimento soltos e sinais de deterioração, o que preocupa moradores e aumenta o risco de acidentes. Segundo relatos, o problema se agrava durante chuvas fortes, quando a rede de drenagem não consegue suportar o volume de água. Mesmo após sucessivas intervenções, os danos voltaram a aparecer.
Na terça-feira (27), parte da pista estava destruída, com pedaços de asfalto e concreto espalhados pelo chão. Barreiras de sinalização foram instaladas no local para alertar motoristas sobre as condições da via e reduzir o risco de passagem sobre os trechos danificados.
O gerente Cristiano Lage, de 47 anos, afirma que os transtornos são frequentes e se intensificam durante os temporais. De acordo com ele, a água chega a sair com força pela estrutura de drenagem, provocando o levantamento do asfalto e prejudicando a circulação de veículos.
“Aqui na rua tem uma galeria entupida e toda vez que tem uma chuva mais forte, o asfalto levanta, a tampa do bueiro joga água a dois metros de altura”, relata o morador.
Cristiano conta que equipes da Prefeitura de Belo Horizonte e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) já estiveram no endereço para realizar reparos. No entanto, segundo ele, os serviços não impediram o reaparecimento dos danos. O morador afirma que foram feitas três ou quatro intervenções nos últimos dois meses e que a mais recente começou na semana passada.
“Nós vemos que eles têm boa intenção de vir resolver, às vezes eles chegam rapidamente, mas logo no dia seguinte, se chover forte, já estraga tudo”, afirma.
Além da destruição do pavimento, os moradores relatam que o cruzamento fica alagado durante chuvas intensas. A água acumulada dificulta a passagem dos veículos e pode causar danos aos automóveis que tentam atravessar o trecho.
“Sempre que chove alaga, vira uma piscina. Impede os carros de passar. Se os carros passam, danificam as rodas ou o fundo dos veículos”, diz Cristiano.
Moradores pedem ampliação da rede de drenagem
A administradora de empresas Regina Mattioli, de 65 anos, mora há 26 anos na rua Geraldo Vasconcelos. Ela afirma que os problemas relacionados à drenagem são antigos e que a região recebe grande quantidade de água da chuva que desce de áreas mais altas, próximas à avenida Raja Gabaglia.
Na avaliação da moradora, a estrutura subterrânea existente não é suficiente para receber o volume de água que chega ao cruzamento. Regina relata que as tubulações têm aproximadamente 60 centímetros de diâmetro e considera a medida insuficiente para atender à demanda da região.
“Todo ano essa parte da Geraldo Vasconcelos, junto com a Ivan Lage, recebe toda a água pluvial e a rede não está suportando. Acaba entupindo as bocas de lobo, os bueiros”, afirma.
Regina defende que a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) faça uma avaliação mais ampla do sistema e considere a ampliação da rede de drenagem, em vez de concentrar os trabalhos apenas em novos reparos na superfície.
Outro fator apontado por ela é a circulação de veículos pesados pela rua Geraldo Vasconcelos. Segundo a moradora, caminhões, carretas e ônibus utilizam a via para fazer retornos, o que aumentaria a pressão sobre o pavimento já comprometido. Para Regina, o trecho precisa de uma estrutura mais resistente para suportar o tráfego e evitar que o asfalto volte a ceder.
Moradora relata acidentes e cobra ação conjunta
Regina também afirma que já ocorreram acidentes no cruzamento, incluindo quedas de motociclistas e colisões entre veículos. Esses episódios, porém, não foram confirmados por órgãos oficiais.
A moradora recorda ainda um acidente fatal ocorrido há muitos anos nas proximidades. Segundo o relato, uma pessoa teria sido arrastada pela água para uma estrutura de drenagem. A data e as circunstâncias dessa ocorrência não foram confirmadas.
De acordo com Regina, equipes da Copasa estiveram no local na segunda-feira (26) para reparar um vazamento na rede de abastecimento de água. Ela afirma que os profissionais também fizeram uma intervenção em um bueiro, mas o pavimento continuou danificado.
Segundo a moradora, os trabalhadores informaram que a recuperação do asfalto seria responsabilidade da Prefeitura. Regina defende uma avaliação conjunta dos problemas de drenagem e pavimentação, para impedir que o trecho continue sendo destruído a cada período de chuva.
“Minha sugestão é que a Sudecap faça um novo planejamento do encontro dessas duas bocas de lobo com esses três bueiros dessa esquina, para ampliar a rede pluvial receptora do bairro Estoril”, afirma.
O Hoje em Dia procurou a Copasa para esclarecer quais serviços foram realizados no cruzamento, se há alguma pendência relacionada à rede de abastecimento e se estão previstas novas intervenções. A reportagem também aguarda esclarecimentos da Prefeitura de Belo Horizonte sobre a recuperação do pavimento e as condições da rede de drenagem no local.


