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Mulher britânica sofre insuficiência hepática e danos cerebrais após uso de suplemento de bem-estar do TikTok

Mulher britânica sofre insuficiência hepática e danos cerebrais após uso de suplemento de bem-estar do TikTok

Uma mulher de 44 anos, residente no Reino Unido, enfrenta uma grave crise de saúde após consumir um suplemento de origem asiática recomendado por vídeos no TikTok. Lois Kinder, casada e mãe de dois filhos, passou de uma rotina saudável para uma situação de emergência devido ao uso de uma goma de ashwagandha, erva conhecida por suas supostas propriedades relaxantes e por aliviar sintomas da perimenopausa. O consumo começou em julho de 2025, quando Lois passou a tomar o produto diariamente pela manhã, após o café, acreditando que isso a ajudaria a se sentir mais relaxada.

O suplemento em questão é amplamente popular na plataforma de vídeos curtos, podendo ser adquirido por apenas cinco libras, aproximadamente R$33 na cotação atual. No entanto, no Brasil, a venda de produtos contendo ashwagandha é proibida, sendo permitida apenas a ingestão de fórmulas manipuladas sob orientação médica ou de nutricionista especializado em fitoterapia. Essa diferença na regulamentação reforça o risco de uso indiscriminado de suplementos sem acompanhamento profissional.

No início de julho, Lois procurou atendimento médico após apresentar sintomas como vômito e sinais de icterícia, incluindo pele e olhos amarelados, acreditando inicialmente estar com uma virose. Em consulta com um clínico geral, ela relatou que, após consumir a goma, sentia-se mais relaxada e melhor. Apesar da avaliação inicial, seu quadro de saúde se agravou rapidamente. Em 13 de julho, sua filha mais velha, Imogen, de 19 anos, encontrou Lois desacordada no sofá, após perceber que ela não havia acordado o filho mais novo, Jacob, de 15 anos, para ir à escola.

Diante da situação de emergência, Lois foi levada ao hospital, onde foi diagnosticada com insuficiência hepática aguda. Ela precisou ser submetida a um coma induzido e, três dias depois, transferida para a Unidade de Terapia Intensiva Hepática do Hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, uma das poucas unidades no Reino Unido capazes de realizar transplantes de fígado de emergência. Em 22 de julho, ela passou por uma cirurgia de transplante hepático, mas enfrentou complicações graves durante o procedimento, incluindo três paradas cardíacas causadas por um coágulo que obstruiu uma artéria vital.

A ausência de oxigênio por um longo período durante as paradas cardíacas resultou em danos cerebrais significativos. Os médicos acreditam que a insuficiência hepática foi causada pelo uso do suplemento de ervas, especificamente a ashwagandha, e questionaram os familiares sobre o consumo do produto. O marido de Lois, Oliver Kinder, relatou que os exames de sangue e os procedimentos realizados indicaram uma forte suspeita de que o suplemento foi o fator desencadeante dos problemas de saúde da esposa.

Atualmente, Lois permanece na Unidade de Terapia Intensiva, passando por reabilitação neurológica diária. Apesar de estar acordada, seu quadro de recuperação ainda é incerto, e não há previsão clara sobre sua capacidade de recuperar movimentos ou autonomia. Uma campanha no site de arrecadação GoFundMe foi criada por uma amiga do casal para ajudar nas despesas médicas e na adaptação da residência para receber Lois, que necessita de cuidados contínuos.

A equipe médica responsável pelo caso considera a complexidade e a raridade da condição de Lois, planejando publicar um artigo científico para compartilhar as lições aprendidas e auxiliar outros profissionais a lidarem com situações semelhantes. A situação evidencia os riscos associados ao uso de suplementos de origem desconhecida, especialmente aqueles adquiridos sem orientação adequada, reforçando a necessidade de maior atenção às regulamentações e orientações médicas no consumo de produtos fitoterápicos.

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