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Minas Gerais enfrenta risco de El Niño de intensidade excepcional, com previsão de secas severas e tempestades

Minas Gerais enfrenta risco de El Niño de intensidade excepcional, com previsão de secas severas e tempestades

Minas Gerais está sob forte expectativa de enfrentamento de um fenômeno climático de grande magnitude, com projeções indicando uma probabilidade superior a 90% de que o El Niño atinja uma classificação considerada “super forte”, ou seja, de intensidade excepcional. A informação foi divulgada pelo Governo do Estado nesta terça-feira, dia 20 de outubro, e traz um alerta para os 853 municípios mineiros, que podem experimentar condições climáticas extremas, incluindo temperaturas elevadas, períodos prolongados de estiagem, aumento de queimadas e tempestades intensas, especialmente entre a primavera e o verão de 2026/2027.

Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), o fenômeno atingiu seu pico de intensidade e deve começar a perder força apenas a partir de abril de 2027. Os meses de outubro a dezembro deste ano, no entanto, podem registrar temperaturas médias que alcançarão os níveis mais altos dos últimos 30 anos, elevando o risco de impactos severos na agricultura, recursos hídricos e na saúde pública.

A distribuição dos efeitos do El Niño varia conforme a região do estado. Na parte Norte, Noroeste, Triângulo Mineiro e região Central, a preocupação maior recai sobre o calor extremo e a seca severa, que podem comprometer a agricultura, o abastecimento de água e a saúde da população. Já na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e na Zona da Mata, a atenção se volta para a possibilidade de tempestades fortes, com riscos de alagamentos, deslizamentos de terra e danos a imóveis localizados em áreas de encosta ou de ocupação irregular.

A combinação de chuvas intensas em áreas de alta densidade populacional e terrenos de encosta aumenta a vulnerabilidade a deslizamentos, especialmente na Grande BH e na Zona da Mata. Para enfrentar esses desafios, o Governo de Minas Gerais criou, em setembro passado, o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, por meio de um decreto que reúne diversos órgãos estaduais e federais, incluindo as secretarias de Meio Ambiente, Agricultura, Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Infraestrutura, além do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Entre as ações previstas pelo comitê estão a distribuição de água potável às comunidades afetadas pela seca, o monitoramento de áreas de risco de inundação e deslizamentos, além da preparação de equipes de resposta a emergências climáticas. A Defesa Civil de Minas informa que já capacitou mais de 830 agentes públicos em mais de 230 municípios, reforçando a capacidade de resposta às possíveis crises relacionadas ao fenômeno.

As prefeituras do estado também receberam orientações para atualizar seus planos de contingência contra secas e temporais, além de organizar brigadas de prevenção a incêndios e realizar ações de drenagem urbana e limpeza de áreas públicas, de modo a minimizar os efeitos de chuvas intensas previstas para os próximos meses.

O monitoramento contínuo é realizado pelo Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), que opera 24 horas por dia na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. O órgão acompanha dados provenientes de satélites, radares, níveis de rios e a estabilidade de encostas, emitindo relatórios e alertas para orientar ações preventivas e de emergência.

A população mineira pode se cadastrar gratuitamente para receber avisos sobre condições meteorológicas extremas, como chuvas fortes, granizo, enchentes, alagamentos e riscos de deslizamentos. Para isso, basta enviar uma mensagem de SMS com o CEP da região para o número 40199. Além desse serviço, o sistema Defesa Civil Alerta (DCA) envia notificações automáticas para celulares situados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio. Em situações de maior gravidade, o aviso aparece como uma notificação no aparelho, e em casos extremos, é emitido um sinal sonoro semelhante a uma sirene.

A Defesa Civil recomenda que a população evite atravessar enxurradas, procure locais seguros durante tempestades e deixe imóveis que apresentem sinais de risco de desabamento. Em caso de emergência, os cidadãos podem acionar os serviços de atendimento pelo número 199, o Corpo de Bombeiros pelo 193, a Polícia Militar pelo 190 ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo 192.

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