Correio Divinopolitano

Manipulação de espinhas internas aumenta risco de infecção e cicatrizes permanentes

Manipulação de espinhas internas aumenta risco de infecção e cicatrizes permanentes

A tentativa de espremer espinhas profundas, conhecidas como acne interna, pode ocasionar complicações de saúde e prejudicar a aparência da pele. Diferentemente das espinhas superficiais, que apresentam uma ponta amarela visível, as lesões internas permanecem presas nas camadas mais profundas da derme, dificultando sua eliminação natural. Quando uma pessoa tenta manipular essas lesões, a pressão exercida rompe a estrutura da pele de forma interna, propagando a inflamação pelos tecidos adjacentes e agravando o quadro clínico. Essa prática aumenta significativamente o risco de infecção, além de favorecer o surgimento de cicatrizes permanentes, manchas escuras e alterações no relevo cutâneo.

Especialistas alertam para a vulnerabilidade da região central do rosto, delimitada pela base do nariz e pelos cantos da boca, devido à sua anatomia vascular. Segundo a médica Aline Henrique Passos, pós-graduada em Dermatologia Clínica, essa área possui veias que se comunicam com veias profundas da órbita ocular e com o seio cavernoso — uma estrutura venosa localizada na base do crânio. Essa conexão aumenta o risco de infecções graves, caso as lesões internas sejam manipuladas de forma inadequada. Embora complicações extremas sejam pouco frequentes, infecções severas, como celulite facial, trombose séptica do seio cavernoso e até comprometimento da visão, podem ocorrer em casos mais graves.

Além do risco infeccioso, a manipulação constante de acne profunda é apontada como a principal causa de marcas duradouras na pele. O trauma causado pelos dedos ou unhas danifica os tecidos, levando ao desenvolvimento de hiperpigmentação pós-inflamatória — manchas escuras resultantes do aumento de melanina na região afetada — além de cicatrizes atróficas ou hipertróficas, que alteram a textura e o relevo do rosto. Pessoas com pele negra, por exemplo, tendem a apresentar manchas pigmentares mais persistentes, exigindo tratamentos dermatológicos específicos para minimizar os danos.

De acordo com a esteticista e cosmetóloga Victória Cardoso, a melhor estratégia é evitar a tentativa de manipular essas lesões. Manter uma rotina de cuidados suaves, utilizando produtos adequados, é fundamental para controlar a oleosidade e a inflamação. Entre os ativos recomendados estão o ácido salicílico, a niacinamida e o peróxido de benzoíla, que auxiliam na redução da produção de óleo e no combate à inflamação. Ela também adverte que o uso de adesivos secativos hidrocoloides deve ser evitado em lesões fechadas, pois esses produtos não atingem as camadas mais profundas da pele, onde a inflamação se encontra.

Para aliviar a dor e promover a evolução natural da lesão, a aplicação de compressas mornas, por 10 a 15 minutos, com um pano limpo, é uma prática recomendada. No entanto, caso haja aumento do inchaço, vermelhidão extensa, dor intensa ou febre, é imprescindível procurar avaliação médica imediatamente. Em casos de acne recorrente, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos tópicos ou sistêmicos prescritos por dermatologistas, com o objetivo de prevenir sequelas e preservar a integridade da barreira cutânea. Assim, evitar a manipulação das lesões internas é fundamental para minimizar riscos à saúde e à estética da pele.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *